Apesar de depender de uma cadeira de rodas para se locomover, Ana Paula Luiza de Andrade é um exemplo de disposição, força de vontade e perseverança. A rotina dela começa às 6h30 e só termina às 23h30. Nesse período, a jovem de 27 anos cuida de sua casa no Jardim Vista Bela (Zona Norte de Londrina), frequenta sessões de fisioterapia na Região Central, aulas do Ensino Fundamental em um colégio da Zona Oeste e as atividades do programa Pró-Jovem no Centro da cidade.

Detalhe: a cadeirante faz tudo isso sozinha e, para realizar a jornada, depende de 10 ônibus por dia. Ao contrário do que muitos imaginam, a jornada cansativa ela cumpre com um sorriso nos lábios, que só se perde quando se depara com obstáculos que poderiam ser facilmente transpostos pelo poder público e pela sociedade.

''Tive a sorte de conseguir uma casa adaptada pela Cohab. Porém, ao chegar no ponto de ônibus do bairro já começa a minha preocupação. Como não há guia rebaixada, sou obrigada a esperar na rua. Corro o risco de ser atropelada e acabo ficando exposta ao sol ou à chuva porque não tenho acesso à área coberto do ponto'', queixa-se Ana Paula.

A reportagem da FOLHA acompanhou o trajeto da jovem de ônibus de sua casa até a clínica onde faz fisioterapia, na Avenida Souza Naves. Nas três linhas que pegou, Ana Paula contou com a colaboração dos motoristas para subir nos coletivos pela plataforma destinada a cadeirantes.

''A maioria dos motoristas e cobradores entende a situação e colabora com a gente. Porém, ainda existem alguns que fazem caras e bocas quando vê um cadeirante no ponto, pois demanda tempo ele parar o coletivo, levantar, descer e subir a plataforma e nos acomodar com cinto de segurança no espaço reservado para deficientes dentro do ônibus'', avalia.

Leia mais na reportagem especial de Marcos Roman

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