Falta de funcionários esvazia hospital
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de junho de 1997
Adriana De Cunto 
Dorico da SilvaPouca gente...Hospital da Zona Norte: leitos vazios e pronto-socorro sem capacidade de atender, em razão do número insuficiente de funcionáriosLondrina
Enquanto grandes hospitais de Londrina sofrem com a superlotação de pacientes, o Hospital Anísio Figueiredo, na zona norte da Cidade, enfrenta outro mal: a falta de funcionários. As enfermarias estão vazias e os moradores da região têm que procurar outros hospitais. Não há médicos ou auxiliares de enfermagem em número suficiente. Hoje, o Hospital da Zona Norte poderia trabalhar com 60 leitos, mas apenas 40 estão em funcionamento.
O hospital foi ampliado em 1996. Antes da reforma, tinha 30 vagas para internação; a capacidade foi praticamente dobrada. Mas, depois de concluída a obra, não foi realizado concurso público para contratação de pessoal. E o que é pior: nos últimos quatro anos, 23 funcionários foram transferidos para outros órgãos do Estado, como Penitenciária Estadual de Londrina e 17ª Regional de Saúde. Desses, apenas 13 foram substituídos, reclama o diretor administrativo do Zona Norte, Jorge Proença.
No último sábado, o pronto-socorro do Hospital acabou sendo fechado por não ter mais condições de receber pacientes. Duas auxiliares de enfermagem faltaram ao trabalho, inviabilizando o atendimento. Nós tivemos que dar prioridade aos que já estavam internados e passamos a atender só os casos mais urgentes, explica a diretora geral do Hospital da Zona Norte, Vera Lúcia Marvulle. No domingo, o atendimento voltou ao normal.
A instituição conta com aproximadamente 202 funcionários, sendo 40 médicos e 42 auxiliares de enfermagem. Na opinião de Proença, o ideal seriam 250 empregados. Ele diz que está reivindicando junto à Secretaria Estadual de Saúde a contratação de mais gente. Temos certeza que eles vão atender. Muitas pessoas ficando sem atendimento.
Vera Marvulle ressalta a necessidade de colocar os leitos desativados em funcionamento: O hospital está em uma região de difícil acesso para o centro. E atendemos pacientes também das regiões oeste e leste da Cidade, além de outros municípios, explica. Ela comenta que constantemente é preciso fechar o hospital por falta de funcionários na escala de trabalho.
Segundo a diretora, o estatuto permite que os servidores estaduais do hospital Zona Norte tenham duas faltas mensais sem a necessidade de passar por uma perícia médica. Pela lei estadual, só a apresentação de atestados médicos justifica a ausência. Um direito que, de acordo com a diretora, os funcionários do da Zona Norte utilizam ao máximo.
Mário César... e muita genteHospital Universitário: superlotação complica o atendimento, doentes ficam em macas no corredor e outros são internados em consultórios
A média mensal de atendimentos no pronto-socorro do Hospital é de 7 mil. A média de internações é de 200 ao mês. Com a utilização de toda a capacidade, as internações poderiam chegar a 300 por mês, acredita Vera Marvulle. A principal carência no hospital é de auxiliares de enfermagem. Hoje temos número suficiente para atender 40 leitos. Para os 60 leitos seriam necessários mais 15. Na área médica, a falta maior está entre pediatria e clínica geral. Já ginecologista está sobrando: Estamos pensando até em propor um tipo de permuta com a Secretaria Municipal de Saúde. Eles nos cedem pediatra e clínico geral e a gente cede ginecologista.
Vera Marvulle diz que há entendimento entre a 17ª Regional de Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde para realização de concurso público e contratação de novos funcionários. O chefe da 17ª RS, Luiz José Neto, não foi encontrado ontem para comentar o assunto. Mas, em Curitiba, um funcionário da Secretaria Estadual de Saúde confirmou que no próximo semestre será realizado concurso público para o Hospital da Zona Norte. Ele não soube informar quantos funcionários serão contratados.


