Londrina - O Centro de Tratamento de Queimados de Londrina, assim como as outras alas do Hospital Universitário, sofre com a falta de funcionários, o que acarreta em leitos parados na UTI do setor. De acordo com o chefe médico do CTQ, Reinaldo Kuwahara, o local possui 16 leitos, sendo seis de UTI e dez de enfermaria. No entanto, apenas quatro leitos de UTI estão em funcionamento. O atendimento nos outros dois depende da contratação de mais médicos para o setor. "Faltam, pelo menos, dois cirurgiões, três anestesistas e servidores do setor de enfermagem e do setor administrativo", ressaltou.
As vítimas de queimaduras e os familiares também recebem apoio social e psicológico no HU. No último ano, o Centro de Tratamento deixou de ter uma assistente social exclusiva para o setor. O serviço passou a ser ofertado pelos profissionais que atendem os pacientes de todas as alas do hospital. No CTQ, a única psicóloga, Ana Lilian Parrelli, é responsável por atender a todos os pacientes e familiares. "Ainda bem que os pacientes são bem humorados. Faltam funcionários, mas eles entendem que a gente se desdobra. O pessoal da equipe é guerreiro. Todo mundo se ajuda", destacou com sorriso no rosto.
O tratamento das queimaduras é longo e o processo de superação dos traumas psicológicos faz parte do atendimento. "Os pacientes internados correm risco de vida e passam por um momento muito traumático mesmo. Eles se veem queimando. A maioria não perde a consciência. É uma sensação de desamparo e de desorganização psíquica muito grande para quem vive isso e também para as famílias", afirmou.
Com a mudança na rotina, muitos parentes das vítimas são acolhidos pela casa de apoio do HU. "Já atendi famílias que chegaram aqui sem nada. Perderam a casa, os documentos, tudo! É uma situação catastrófica", descreveu. "Às vezes, a gente vive como se fosse eterno e nós não somos. Essa relação – vida e morte – é muito tênue. A equipe de apoio é muito importante para essa recuperação emocional", defendeu Ana Lilian.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) informou que 112 servidores serão nomeados para a Universidade Estadual de Londrina (UEL) entre o final do mês de julho e o início de agosto. Entre os servidores estão médicos, enfermeiros e profissionais da saúde que poderão atuar no HU. A quantidade de servidores que serão contratados para a instituição não foi especificada. Ainda de acordo com a assessoria da Seti, a direção do hospital pretende finalizar um levantamento sobre o deficit de servidores no hospital.(V.C.)

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