A unidade de Campo Mourão do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) está concluindo o terceiro ano letivo, mas ainda não conta com um quadro próprio de funcionários. Apenas dois dos 40 funcionários são servidores de carreira da escola. Todos os outros são contratados por tempo determinado - e pagos - pela prefeitura. Entre os professores, 16 também são temporários, contra 24 estáveis.
‘‘Vivemos uma situação de instabilidade’’, queixa-se o diretor da unidade do Cefet, Jorge Cândido. Todo ano, por exemplo, é preciso fazer teste seletivo para preencher vagas. Para piorar, ninguém pode ser contratado por mais de dois anos. ‘‘Só isso já dificulta a contratação de professores de fora’’, diz Cândido. ‘‘Ninguém quer vir para cá sabendo que só vai ter o emprego por dois anos’’. A lei não permite que os temporários façam novos testes seletivos.
A situação se arrasta desde que o órgão começou a funcionar na cidade, em 1995. Desde então, funcionários e professores que tiveram seus contratos vencidos tiveram que sair. Investimentos em cursos no quadro de pessoal foram perdidos. A princípio, a promessa era de que essa situação seria provisória apenas para o primeiro ano de funcionamento. Agora, porém, o governo federal alega que a responsabilidade do pessoal é da prefeitura.
Desde o final do ano passado, uma determinação do governo proíbe que o Cefet contrate funcionários e professores para novas unidades. O governo cede apenas instalações e equipamentos, enquanto o pessoal deve ficar por conta das prefeituras, dos Estados ou de outras entidades conveniadas. ‘‘O problema é que a unidade de Campo Mourão é de 95, quando essa lei ainda não existia’’, frisa Cândido.
Além da falta de servidores efetivos, a unidade sofre com a falta de estrutura física. Desde 95, o Cefet usa os antigos alojamentos de um ginásio de esportes. Dois blocos de salas de aula e laboratórios, com 2,5 mil metros quadrados, foram inaugurados em outubro, mas não solucionaram o problema.

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