Falta de frequentadores ameaça escolas
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terça-feira, 05 de agosto de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Vânia MoreiraInstrutoraDevanir Mackert Barbosa deu aula de datilografia durante 36 anos: parei para me aposentarTrabalhando com um número cada vez menor de alunos, as escolas de datilografia parecem condenadas à extinção como a máquina de escrever, aos poucos superada pelo computador. O fechamento da mais antiga escola de datilografia de Umuarama no início do mês levantou dúvidas sobre a sobrevivência dessas escolas.
A dona da Escola Olivetti, Devanir Mackert Barbosa, 63 anos, nega ter parado por falta de alunos. Eu queria me aposentar, afirma. Ela deu aula de datilografia durante 36 anos e formou mais de 5 mil alunos. Nas outras três escolas da cidade, os donos admitem que o número de alunos diminuiu cerca de 60% nos últimos dois anos e se continuar caindo terão que fechar as portas.
A maioria das pessoas que se prepara para ingressar no mercado de trabalho prefere fazer apenas o curso de informática, mesmo tendo que catar milho no início ou virar dedógrafo, como é chamada a pessoa que datilografa sem usar técnica.
A instrutora da Escola Modelo, Gedalva Pereira de Souza, diz que a técnica de datilografia é fundamental para quem trabalha com computador e que a melhor forma de aprender ainda é na velha máquina de escrever. Até a geração dos computadores descobrir isso, se descobrir, pode ser tarde demais, diz Gedalva.
Funcionando há 25 anos, a Escola Modelo tinha 150 alunos em média até dois anos atrás. Agora gira em torno de 30 a 40 alunos e a maioria das 26 máquinas passa a maior parte do tempo ociosa. A escola também ensina datilografia em teclado de computador, mas constatou que os alunos preferem aprender na máquima por ser mais fácil.
Gedalva admite que as escolas de datilografia podem estar com os dias contados, mas tem esperança de que as pessoas voltem a se interessar pelo curso. Ela cita o caso de um aluno de ciências da computação que resolveu aprender datilografia porque se achava lerdo demais no computador.
Adotar o teclado de computador foi a forma encontrada pelo Serviço de Aprendizagem Comercial (Senac) para reciclar o curso. Segundo o diretor Sidney Uliana, o Senac de Umuarama tem hoje duas turmas com apenas nove alunos cada aprendendo datilografia em teclado de computador. Há alguns anos, a turma de datilografia do Senac reunia 25 alunos. Já o Serviço Social da Indústria (Sesi) decidiu extinguir o curso.
A agora ex-instrutora de datilografia Devanir Barbosa colocou à venda as 23 máquinas, a maioria Olivetti, que utilizava para ensinar os alunos. Já vendi 10 para ex-alunos, informou. O sala onde a escola funcionou durante 36 anos na avenida Paraná pertence a família de Devanir e agora está para alugar. Moradores mais antigos lembram que nos anos 70 havia fila para fazer inscrição na Escola Olivetti e que era preciso esperar meses por uma vaga.
Devanir conta que o número de alunos atualmente era bem menor que há alguns anos, mas não o suficiente para fechar a escola. Parei porque cansei de trabalhar, esquiva-se.
Os alunos que não conseguiram terminar o curso até o dia que Devanir escolheu para fechar a escola, 4 de julho, foram transferidos para outras escolas. Nas escolas que restam, o curso custa R$ 15 mensais e dura 4 meses, em média.


