Falta de peritos, excesso de laudos, falhas logísticas e despesas do órgão bancadas pelos funcionários. Este é o panorama de trabalho do Instituto de Criminalística (IC) de Londrina, órgão responsável pela investigação científica de crimes. Mesmo com uma extensa gama de dificuldades, os peritos e auxiliares têm cumprido o trabalho previsto por lei, como a elaboração de laudos técnicos sobre acidentes de trânsito, incêndios, ocorrências policiais, entre outros.
A sede londrinense é responsável pelo atendimento de 92 cidades da região, num raio de 250 quilômetros, totalizando cerca de 1,8 milhão de habitantes. O número reduzido de profissionais, no entanto, prejudica o trabalho. São 14 peritos e quatro auxiliares responsáveis pelo plantão e expediente das 8h30 às 12 horas e das 14 às 17 de segunda a sexta-feira. O instituto fica fechado das 12 às 14. O plantão é 24 horas.
O próprio horário de almoço é apontado como uma falha logística, já que o fornecimento de alimentação para os peritos de plantão e a secretária seriam suficientes para otimizar o atendimento. O custo pesquisado pela chefia é baixo, mas não há como bancá-lo. ''A saída do plantonista para almoçar e para jantar toma muito tempo. Se não precisarem sair, o atendimento seria agilizado'', comentou o perito Luciano Bucharles.
Outro problema de planejamento logístico apontado por Bucharles é o deslocamento desnecessário para cidades da região. No caso de crime ou acidente com morte no local, o perito normalmente comparece. O trabalho dele é avaliar a cena da ocorrência, que é isolada pela autoridade policial. Muitas vezes um treinamento específico para os policiais deveria ser suficiente para dispensar a presença do perito.
''O parecer sempre é feito rapidamente. O perito é pago para pensar. O tempo gasto nos deslocamentos é desperdiçado porque os policiais poderiam ser treinados para colher todos os indícios necessários para a elaboração do laudo pericial. Mas atendemos tudo o que é solicitado'', avaliou.
Para Bucharles, o número ideal em Londrina seria de pelo menos 20 peritos e dez auxiliares. O resultado da falta de pessoal foi a desativação de setores. O IC, por iniciativa dos próprios peritos, chegou a contar com laboratórios de retrato falado e exames de documentos, que foram desativados por causa da estrutura deficiente. O perito explica que a equipe escolheu reduzir os tipos de serviços com o intuito de manter a qualidade.
Mesmo assim, 4 mil laudos são elaborados por ano. Para efeito de comparação, o Instituto de Criminalística de Curitiba faz uma média de cinco vezes mais laudos, só que possui 110 peritos. E com a equipe reduzida, os peritos de Londrina buscam responder às solicitações não apenas das polícias Civil e Militar, mas também da Polícia Federal, Forças Armadas, Poder Judiciário e autoridades administrativas.

mockup