Falta de estrutura, maior inimigo da polícia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de novembro de 2001
Emerson Dias<br>De Londrina 
Falta de estatísticas sobre a violência na cidade, delegados, escrivães e agentes utilizando computadores pessoais nos distritos, número insuficiente de funcionários para atendimento e poucos policiais nas ruas. São alguns dos problemas na área de segurança em Londrina que dificultam o combate à criminalidade e deixam a população cada vez mais temerosa e exposta ao risco de assaltos, furtos e outros crimes.
No 3º Distrito Policial (DP), no Jardim Bandeirantes, zona oeste da cidade, o delegado, um escrivão, um plantonista e dois investigadores usam equipamentos pessoais. A situação é a mesma no 2º DP, na Vila da Fraternidade (área central). No 5º Distrito, na zona norte, uma reforma foi concluída recentemente, mas os armários, arquivos e máquinas de escrever têm mais de 20 anos de uso e o radiocomunicador está ultrapassado, não conseguindo sinal além do centro da cidade.
Policiais admitem que 80% do material de expediente vêm de doações de empresários. O treinamento de tiro é feito somente com ''munição recarregada'', comprada com dinheiro do próprio bolso, porque balas novas custam o dobro do preço. A 10 Subdivisão Policial, que atende Londrina e mais 19 municípios da região, recebeu cinco pistolas e uma metralhadora há duas semanas. Muito pouco, assim como o efetivo de apenas 70 policiais. Para o delegado-chefe, Gilson Garret Alguaer, o satisfatório seria pelo menos 110.
O comando do 5º Batalhão da Polícia Militar considera bom o efetivo de 940 policiais, responsáveis pelo atendimento de Londrina, Cambé, Ibiporã e Tamarana. Mas há o risco de 145 policiais deixarem de fazer o atendimento direto da população. Conforme noticiou ontem a Folha, 30 homens devem ser deslocados para a Operação Praia, no Litoral do Estado, 35 para a guarda externa da Casa de Custódia de Londrina, que deve ser inaugurada no próximo dia 20, e outros 80 policiais entram em férias e licença-prêmio.
Enquanto isso, Londrina já contabiliza 92 homicídios neste ano, número bem maior que os 75 registrados em todo o ano de 2000.


