INTEGRAÇÃO BLOQUEADA Falta de estrutura emperra projeto escolar Módulos que tentam integrar os estabelecimentos de ensino com suas comunidades existem fisicamente, mas não funcionam Josoé de CarvalhoJosoé de CarvalhoPOUCO ESPAÇODireção do Colégio Estadual Professora Ubedulha de Oliveira, na zona norte de Londrina, reclama do pequeno espaço da biblioteca (fotos acima e ao lado), que seria insuficiente até para atender os próprios alunos do estabelecimento de ensinoDorico da SilvaBiblioteca da Escola Estadual José de Anchieta: portal trancado Telma Elorza De Londrina Um projeto da Secretaria de Estado da Educação que poderia estar integrando a escola e a comunidades não vem cumprindo, em Londrina, uma das funções para a qual foi concebido. O projeto de reforma, ampliação e construção de módulos-padrão biblioteca/informática, desenvolvido pelo órgão a partir de julho de 1998 com verbas do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio e Técnico (Proem) e do próprio governo estadual, hoje está limitado ao universo escolar. A comunidade, também público-alvo do projeto, não é estimulada a usufruir das instalações que nove escolas estaduais de ensino médio da cidade já receberam. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação, os módulos-padrão foram disponibilizados para escolas de todo o Estado que dispunham de espaço físico para recebê-los. As que não dispõe deste espaço passaram por reformas e salas dentro do corpo estrutural foram adaptadas para receber as novas funções. Segundo a assessoria, pelo projeto 918 escolas estaduais receberam equipamentos de informática, sendo que 579 passaram por ampliação e reformas e, das quais, 228 receberam o módulo-padrão. No total, foram investidos R$ 65 milhões, sendo R$ 12,6 milhões para equipamentos e R$ 52,5 para obras físicas. O projeto do módulo-padrão prevê um prédio de cerca de 220 metros quadrados, com com salas distintas para o laboratório de informática e biblioteca, além de um portal que permite acesso independente da comunidade. A idéia, de acordo com a assessoria, era liberar o acesso do público externo, com objetivo de transformar a escola em um centro de referência dentro da comunidade. A assessoria, porém, esclareceu que caberia à cada escola liberar e divulgar à comunidade o serviço. Alguns diretores de escolas ouvidos em Londrina pela Folha reclamam que a estrutura física existe, mas não há recursos humanos para abrir as bibliotecas. No Colégio Vicente Rijo (centro da cidade), um dos maiores de Londrina, o módulo-padrão – embora com a mesma metragem dos demais – abriga apenas a biblioteca e o portal, que ainda não funcionam. Segundo a diretora Vera Akaichi, a escola montou outro laboratório de informática, juntamente com a Associação de Pais e Mestres (APM), para liberar o espaço só para a biblioteca, que abriga cerca de 30 mil volumes. Porém, segundo ela, ainda não houve condição de permitir acesso mais fácil à população interessada. ‘‘No meu caso, não pude ainda retirar o muro por dois motivos. O primeiro é que faltam funcionários para dar atendimento ao público externo. O segundo é que, onde está localizado o portal, na Avenida Higienópolis, existe um ponto de ônibus muito movimentado’’, Justificou a diretora. De acordo com ela, já foi solicitada a mudança do ponto junto à Companhia Municipal de Urbanização de Londrina (Comurb). Na Escola Estadual José de Anchieta (centro), a biblioteca e o portal estão prontos e funcionando desde março do ano passado. Porém, o portão permanece sempre com corrente e cadeado. Segundo a bibliotecária Marta Muniz, a biblioteca está à disposição da comunidade, porém a diretoria prefere que o público externo entre pela portaria central, por medida de segurança. No Colégio Estadual Professora Ubedulha de Oliveira, no Conjunto Luiz de Sá (zona norte de Londrina), o portal da biblioteca foi transformado em portaria da escola, com uma funcionária para orientar a entrada e saída. Porém, segundo a assistente administrativa e supervisora Jassanan de Matos Padilha, a biblioteca não tem condições de atender a comunidade por ser pequena fisicamente até para a própria escola, que atende cerca de dois mil alunos. De acordo com ela, a biblioteca é pequena também no acervo, com pouco mais de 3.800 livros.

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