James Alberti
A Biblioteca, duas salas, o almoxarifado e banheiros interditados. Rachaduras, goteiras e reclamações que partem da direção e encontram eco nos estudantes, como Maurício Scherner, 11 anos, que cobra os R$ 0,10 que perdeu num buraco do assoalho, que está cedendo. Esse é o estado do prédio do Colégio Estadual Xavier da Silva, em Curitiba, revela um drama vivido por outras 21 instituições históricas do Paraná, estado que pretende ser modelo de ensino para o restante do País.
A Secretaria de Estado da Educação alega que os colégios ainda não podem ser simplesmente reformados, pois são tombados pelo Patrimônio Histórico. Há, inclusive, um projeto, orçado em R$ 5 milhões, que deve restaurar todos eles, com recursos do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio (Proem) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria, as obras devem começar em novembro.
Um fato, no entanto, demonstra que a situação não precisava ser tão precária e que a Secretaria também não precisava esperar até o final do ano. A diretora administrativa do Xavier da Silva, Odete Farias, afirma que apenas uma parte da estrutura, que impede aulas normais, é tombada pelo Patrimônio Histórico e deve ser restaurada. O restante, afirma, pode ser completamente destruído e reconstruído.
É nesta parte que estão duas salas de aula que apresentam rachaduras. Ambas ficam no mesmo prédio. Uma está no térreo e a outra, no piso superior, exatamente sobre a primeira. A de cima pode desabar. Mesmo assim, ontem 46 alunos estudavam nas salas. Todos com idade entre 8 e 11 anos. ‘‘O próprio engenheiro da Fundepar (responsável pela conservação dos colégios estaduais) disse que, se tivesse um filho, não o poria nesta sala, mas nós estamos colocando os alunos’’, afirmou Odete.
Para ela, o governo está sendo irresponsável, devido ao risco de acidentes. ‘‘Acho que é o que eles estão esperando... Que aconteça um acidente grave’’, disse. A assessoria de comunicação da Secretaria da Educação afirmou que o início das obras obedecem um gronograma legal. Só para a licitação das obras, por exemplo, são necessários três meses. O problema é que o governo nem chegou ao começo deste processo. Conforme a assessoria, hoje o que está sendo feito é a licitação para a execução do projeto de reforma. Entre os 22 colégios que serão reformados estão o Marcelino Champagnat e o Hugo Simas, de Londrina e o Bartolomeu Mitre, de Foz do Iguaçu. De Curitiba, o único é o Xavier da Silva.

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