Falta de estrutura do HU gera protesto
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segunda-feira, 04 de outubro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Médicos residentes e estudantes de graduação do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizam um ato público hoje para protestar contra a desestruturação do Hospital Universitário (HU). A principal reclamação é a falta de recursos humanos da instituição, que há tempos tem dificuldade em contratar novos profissionais.
No último concurso do HU para médicos anestesiologistas, publicado há pouco mais de um mês, apenas uma pessoa se inscreveu para concorrer a duas vagas. Em agosto, a falta de pessoal foi a principal argumentação do HU para desativar sete leitos da enfermaria masculina. A remuneração abaixo do mercado é a principal causa do esvaziamento de concursos e profissionais.
''O HU está passando por problemas crônicos de falta de pessoal que atingem não apenas o ensino mas a qualidade do atendimento'', diz o médico residente de cardiologia do HU e presidente da Associação dos Médicos Residentes de Londrina (AMRL), Fuad Salli Neto.
Como exemplo, ele cita o número de cirurgias mensais, hoje em torno de 65. ''No mínimo, o hospital teria condições de fazer 150'', afirma. Para os estudantes, a queda na qualidade do atendimento é sinônimo também de queda na qualidade de ensino.
''Nos primeiros exames do provão do MEC, o hospital sempre ficava no nível A, entre os seis melhores; no último, estava quase em 20º. Recebemos menos pacientes e os que recebemos ficam mais tempo internados esperando liberação de exames, cirurgiões, etc'', argumenta. A desistência dos residentes também aumentou. Pelo menos metade da última turma teria desistido, segundo Neto.
O objetivo dos estudantes e residentes é mobilizar a sociedade e ampliar a discussão da qualidade do HU. Eles propõem a realização de estudo setorial para diagnosticar falhas. ''Não nos compete resolver os problemas mas temos o dever profissional e cívico de fazer alguma coisa'', diz.
A superintendência do HU informou, através de sua assessoria, que não foi informada oficialmente do protesto, e que as reivindicações do grupo são as mesmas que o hospital tem apresentado. O chefe do Colegiado de Medicina estava em um seminário e não foi localizado ontem. A reitora da UEL Lygia Pupatto não quis comentar o assunto.


