Entre as dificuldades que Londrina enfrenta para desenvolver ações em benefício do meio ambiente está a falta de estrutura da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema). Essa foi uma das conclusões tiradas na reunião realizada ontem na Câmara, entre vereadores e representantes de cerca de 50 entidades para discutir as questões ambientais da cidade.
A organização do encontro foi da Comissão do Meio Ambiente, presidida pelo vereador Maurício Barros (PT). Ele destacou que faltam à Sema técnicos, funcionários e recursos financeiros para desenvolver um trabalho mais expressivo. ''Diariamente ocorrem questões graves no meio ambiente'', lembrou o vereador.
A pesquisadora entomologista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Suely Souza Martinez, observou que o mais interesante da reunião foi justamente a discussão sobre os principais entraves da questão do meio ambiente, incluindo a falta de estrutura da Sema. ''Isso dificulta na execução dos projetos da secretaria.''
Outra questão discutida foi em relação à Agenda 21, que desde 2001 apresenta propostas para preservar o meio ambiente. As entidades presentes destacaram que a Agenda 21 não vem sendo cumprida. Uma audiência pública entre técnicos e a população será marcada.
Para o secretário do Meio Ambiente, padre Dirceu Fumagalli, as críticas feitas na reunião são interessantes e devem ser bem recebidas. Porém, ele afirmou que o problema maior nem sempre é o recurso. ''O prefeito (Nedson Micheleti) está totalmente empenhado para buscar formas de recurso'', sinalizou. Fumagalli destacou que a preocupação está em ter projetos que sejam viáveis e não faraônicos, sem possibilidade de excecução.
Na quarta-feira, a cidade presenciou mais um acidente ambiental. Houve vazamento de dois mil litros de solução de cloreto férrico da estação de tratamento da Sanepar no Córrego Água Fresca, que desemboca do Lago Igapó (área central), e milhares de peixes morreram. Segundo informações da empresa, o produto não é tóxico, mas ácido, e que as providências operacionais e ambientais (como a limpeza do riacho) já foram tomadas. Também foi aberta uma sindicância para apurar as responsabilidades.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) colheu amostras de água para análise e o resultado deve sair em 20 dias. ''Foi uma negligência por parte deles e eles vão ter que arcar com isso'', disse o chefe do IAP, Ney Paulo.
O promotor de Defesa do Meio Ambiente, Claudio Esteves, informou que está aguardando o resultado dessa análise para tomar providências. Os responsáveis podem ter que responder criminalmente pelo dano causado e terem que reparar o prejuízo.

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