Falta de estrutura assusta médicos e pacientes
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terça-feira, 15 de maio de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Porectu - A jovem Sheila Antônia dos Santos tem medo de ir ao hospital. O médico Agamenon Newton Paduan tem medo de que um caso mais complexo chegue ao hospital. Os dois, aparentemente de lados opostos, sofrem com a mesma coisa: falta de estrutura do Hospital Municipal de Porecatu, município 85 km ao norte de Londrina. Construído na década de 50, a instituição pública - que já foi particular - deve passar por reformas em breve, mas por hora, as reclamações são muitas.
A moça de 21 anos perdeu o primeiro filho no último mês de março. Com muita dor, procurou o hospital no domingo a noite, mas o médico plantonista estava atendendo no hospital de Florestópolis, cidade vizinha. ''Ele mandou um outro médico me dar um Buscopan e voltar na segunda para me examinar. Quando eu voltei, ele me examinou e disse que teria que me operar com urgência. Mas não deu tempo, meu bebê morreu'', conta Sheila.
De acordo com Paduan, diretor clínico do hospital, o caso de Sheila pode ser considerado uma intercorrência obstétrica. ''Ela teve um descolamento de placenta. Isso é muito sério e pode ocorrer com qualquer um. O médico que a atendeu fez o que poderia e deveria ser feito, mas o descolamento deve ter ocorrido durante a madrugada e ela já chegou aqui com a placenta descolada. Por isso sentia dor''.
Ele revelou ainda que situações como a da jovem deixam qualquer um dos quatro plantonistas do hospital preocupados. ''Ficamos desconfortáveis. Somos clínicos gerais e às vezes não temos recursos para fazer mais. Quando precisamos encaminhar pacientes, dependemos da Central de Leitos. Só que quem fica com a responsabilidade sobre o paciente somos nós. Eu fico preocupado quando vou pegar um plantão na madrugada.''
As instalações elétricas do hospital são antigas, os colchões e macas estão velhos e as enfermarias são pouco acolhedoras. ''O pior é o atendimento. Eu vi a faxineira limpando o banheiro e com a mesma luva suja mexendo nas camas'', reclama Sheila. A vereadora Irene Frasato também protestou. ''Fiquei internada durante um dia, e, por mais de quatro horas, não entrou uma enfermeira ou auxiliar para me oferecer água''.
Indignada, ela procurou o Ministério Público para reclamar providências, atitude que, para o padre Manuel Joaquim dos Santos, deveria ser tomada por todos os que sofrem com o atendimento hospitalar. ''As pessoas parecem que têm medo de reclamar, procurar o Ministério Público, e vem aqui na igreja fazer suas queixas'', conta. O pároco encaminhou um pedido de esclarecimento à Câmara de Vereadores. ''Eles que são homens que fiscalizam o poder devem ver essa situação''.
O promotor de Porecatu, Custódio Aparecido Pereira, afirma receber poucas e pontuais reclamações. ''Sempre que recebemos, procuramos os responsáveis, seja do município ou do Estado, e tudo se resolve com tranquilidade''. Em relação à estrutura do hospital, ele afirmou quase não ter recebido denúncias. ''O que sei é que precisa de reforma e a licitação para as obras já foi aberta. Vamos acompanhar para ver se tudo se encaminha como deve ser feito''.


