A falta de informação entre os profissionais da saúde prejudica o diagnóstico rápido e preciso. Segundo estimativas do Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR), mais de mil pessoas em Londrina e região ainda não sabem que desenvolveram o lúpus. Para a supervisora da seccional de Londrina do CRF, Maria Madalena Sbizera, a falta de estatísticas precisas sobre a quantidade de pacientes com lúpus prejudica a elaboração de políticas públicas voltadas para o tratamento da doença. "Muitos pacientes são atendidos em consultórios particulares e não há uma notificação exata do número de casos para melhorar a saúde pública", explicou.
A 17ª Regional de Saúde de Londrina tem, aproximadamente, 350 pessoas cadastradas para receber medicamentos gratuitos fornecidos pelo SUS. Maria Madalena aposta na criação de centros de apoio multiprofissional com médicos, psicólogos e nutricionistas, além da conscientização dos próprios profissionais do setor. "Na farmácia, por exemplo, é possível orientar as pessoas que muitas vezes compram pomadas ou cremes para reduzir as manchas na pele ou outros medicamentos que aliviam sintomas pontuais e acabam escondendo a doença. O tratamento precisa começar o quanto antes", ressaltou Madalena.
O presidente da Sociedade Paranaense de Reumatologia, Marco Antônio Rocha Loures, destacou que a doença acomete, principalmente, mulheres em idade fértil, dos 20 aos 45 anos. O diagnóstico é feito com base em 11 critérios laboratoriais. "Muitas doenças apresentam sintomas semelhantes. Por isso, alguns clínicos encontram dificuldades para fazer o diagnóstico. É importante investir em cursos de capacitação para os profissionais da saúde e na divulgação de mais informações para a comunidade como um todo", afirmou Loures. No caso das mulheres, a doença, muitas vezes silenciosa, só vem à tona durante a gestação."
Conforme a reumatologista pediátrica Margarida de Fátima Carvalho, o lúpus neonatal pode comprometer o funcionamento do coração do bebê. "Ao fazer o exame de ultrassom e avaliar os batimentos, o médico observa que há uma diminuição dos batimentos do feto. O número que varia de 140 a 160 batimentos por minuto pode chegar a 60. Ao perguntar para as mães se elas têm lúpus, elas dizem que nunca ouviram falar da doença", destacou Margarida. Em alguns casos, é necessário implantar um marcapasso no coração do bebê logo após o nascimento e, quando isso acontece, a lesão é irreversível.
O tratamento dos pacientes com lúpus deve ser conduzido por uma equipe multidisciplinar. "No geral, eles são orientados a evitar a exposição excessiva à luz do sol. O que se sabe é que o sol pode modificar o DNA da pele e, ao modificar o DNA, ele expõe o organismo a essa falta de reconhecimento dos outros órgãos. Isso ocorre em quem possui algum tipo de predisposição genética ou imunológica para desenvolver a doença. Manter uma alimentação saudável e fazer exercício físico também estão entre as recomendações durante o tratamento", explicou.(V.C.)

mockup