A falta de planejamento e de uma rede de esgoto do Jardim Vale Verde, na Zona Sul de Londrina, compromete várias nascentes que desaguam no Córrego Curiango que passa pelo Parque Arthur Thomas. Além disso, os moradores da região sofrem com as infiltrações nas paredes e o mau cheiro das fossas.
São muitas as minas d'água que nascem no bairro. Uma delas, localizada em um terreno ainda sem contrução, forma um verdadeiro riacho junto à parede da casa ao lado e desagua na galeria pluvial. ''Quando eu construi a casa, a mina já estava aí, mas me disseram que iriam drenar'', conta o porteiro Gilson Batista Alcântara. Ele relata que a estrutura da residência não foi prejudicada, mas no muro da frente as rachaduras são visíveis.
Pior ainda é a situação da dona de casa Roseli de Souza Couto. Ela mora na última residência da Rua Rosa Moralles Rodrigues, um dos únicos quarteirões do bairro onde há dreno. ''Quando mudamos, a tubulação terminava no meu jardim. E o pessoal que mora nas casas lá de cima, fura o dreno e despeja todo o esgoto'', denuncia Roseli.
A dona de casa e o marido fizeram vários pedidos de providências para a prefeitura, porém acabaram comprando mais quatro tubos para esticar o dreno até que saísse fora do terreno. Mesmo assim, a família de Roseli sofre com o mau cheiro e com os pernilongos e insetos que se acumulam no local. ''Nós gastamos mais de R$ 100,00 por mês com veneno'', declara.
Segundo o encarregado de serviços gerais Walmir Alexandre Ribeiro, em julho do ano passado os moradores entraram com recurso no Ministério Público (MP) para resolver o problema que existe desde a criação de bairro, há mais de 20 anos. ''No córrego que nasce aqui já encontraram até a o transmissor da esquistossomose'', afirma.
O ambientalista da Secretaria de Municipal do Ambiente (Sema), João Batista, lembra que todos os bairros construídos há mais de 15 anos não respeitavam as leis ambientais. ''O que temos que fazer alí é desapropriar os lotes onde há nascentes e colocar uma rede de esgoto'', constata. A secretaria calcula que nove terrenos deverão ser comprados pela prefeitura, mas até agora só três foram negociados.
Nos lotes deverão ser plantadas algumas árvores e outro tipo de vegetação para proteger as minas. Quanto à rede de esgoto, a Sanepar informou que a previsão é que o bairro será contemplado com a rede apenas no próximo ano.

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