Edson GuittiPolícia ‘discriminada’Sem escrivã, delegada colhe depoimento de vítima de agressão

A Delegacia da Mulher de Maringá está sem escrivã há mais de um mês e sem nenhuma perspectiva de nova contratação. Os processos estão sendo montados pela própria delegada e pela única investigadora do órgão. A falta de escrivã e de condições de trabalho acabam retardando as investigações. Boa parte das vítimas de agressões que diariamente procuram o órgão para prestar queixas tem que ficar esperando horas pelo atendimento.
A delegada Elza da Silva diz que o problema é antigo. Ela conta que em 1994 a delegacia chegou a ficar três meses sem escrivã. ‘‘A própria Delegacia da Mulher é discriminada não recebendo o mínimo de estrutura necessária’’, critica. Segundo Elza, a delegacia de Maringá chegou a ter duas investigadoras, no ano passado. ‘‘Tiraram uma investigadora e agora tem o problema da falta de escriv㒒, desabafa.
Diariamente, uma média de 10 mulheres procuram a Delegacia de Maringá para dar queixa de agressão. O trabalho é mais demorado ainda porque todos os casos exigem abertura de inquérito, ao contrário do que acontece com as ocorrências registradas nos distritos. ‘‘Todas as queixas registradas aqui na delegacia temos que abrir inquérito e isso leva tempo para a montagem do processo’’. diz
Segundo a delegada, a presença da escrivã agiliza o trabalho porque é ela quem monta o inquérito. A investigadora da delegacia, Maria da Silva Oliveira, também está sobrecarregada. A Delegacia da Mulher de Maringá foi criada em 1987 e fica ao lado do 1º distrito policial. A maioria das vítimas que procura o órgão denuncia agressões físicas sofridas dos maridos ou amantes.

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