O direito à educação é uma garantia constitucional. Mas não basta apenas ter vagas para todos os alunos. É preciso que o acesso à escola seja facilitado. É foi justamente por isso que cerca de 40 moradores do Parque Universidade (Zona Oeste de Londrina) protestaram ontem à tarde fechando uma rua do bairro.
Conforme o presidente da Associação de Moradores, Donizete Pereira dos Santos, no bairro com mais de 450 famílias não existe escola que atenda alunos que cursam da 5 à 8 séries do ensino fundamental. A instituição mais próxima fica a cerca de quatro quilômetros, no Conjunto Avelino Vieira. ''A escola foi construída há mais de 20 anos para atender a apenas um bairro. Hoje, está atendendo nove bairros que, juntos, têm mais de 1.600 alunos'', apontou Santos. Ele alertou que se nenhuma medida for tomada, no próximo protesto os moradores pretendem invadir o Núcleo Regional de Educação (NRE). As aulas da rede estadual começam na próxima semana.
Com a carência, boa parte dos estudantes precisa se deslocar para escolas distantes, localizadas na área central. Aí surge outro problema: o transporte. ''O Núcleo, quando a gente reclama, diz que tem vaga para todos. Mas a questão é a dificuldade financeira dos moradores'', destacou o líder comunitário.
Nesta situação está a costureira Genalva dos Santos Alves. Seus filhos Leonardo, de 11 anos, e Fábio, de 15 anos, cursam a 5 e a 7 séries respectivamente, não conseguiram vaga num colégio estadual que fica a mais de sete quilômetros do bairro, no Jardim Bandeirantes. Eles terão que estudar em um outro colégio que fica próximo aos lagos Igapó, no Jardim Alvorada. ''Meus filhos até já repetiram de ano de tanto faltar as aulas, porque a gente não tinha dinheiro para pagar o ônibus todo dia'', disse.
Genalva afirmou que não quer que os filhos estudem no colégio do Avelino Vieira, porque os estudantes do Parque Universidade são hostilizados. Para continuar os estudos, muitos alunos percorrem a pé as distâncias e ficam expostos a riscos como atropelamentos e roubos no percurso, principalmente no período noturno.
A Folha procurou por telefone o chefe do NRE, Rony dos Santos Alves, mas ele não foi localizado até o fechamento desta edição.

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