Apesar de apontados pela Polícia Civil de Londrina como os principais envolvidos em crimes graves como homicídios e tráfico de drogas, os adolescentes respondem por pouco mais de 10% das ocorrências registradas em Londrina. Segundo a promotora Édina Maria de Paula, enquanto adultos praticaram, em média, 12 mil crimes por ano em 2004, adolescentes não alcançaram a marca dos 1,5 mil.
O problema com os menores é a reincidência, considerada alta pela coordenação do projeto Murialdo programa municipal para a reinserção social de jovens infratores. Baixo índice de escolaridade e dificuldades de aceitação em escolas, segundo a coordenadora do programa, Jaqueline Micali, são as maiores causas para a volta ao crime.
''O grau de escolaridade para os adolescentes que atendemos é baixíssimo. Eles têm em média entre 16 e 17 anos, mas estudaram no máximo até a 6 série'', citou Jaqueline, para depois destacar a importância da educação para que os jovens não voltem ao crime. ''Entre os meninos atendidos pelo programa de prestação de serviços, 11% chegam até o 1º ano do Ensino Médio. O índice de reincidência neste grupo é de 4%. Já entre os jovens da liberdade assistida, não há nenhum que tenha chegado ao 1º ano do Ensino Médio. A reincidência, neste caso, é de 20%'', disse.
Ainda segundo Jaqueline, o quadro de oferta educacional é ainda mais desanimador. ''A aceitação destes jovens no sistema público de ensino é muito difícil. Os diretores se recusam a fazer as matrículas, com medo de enfrentar problemas'', disse. ''É uma situação que, ao favorecer a reincidência, só agrava a superlotação no sistema de atendimento ao adolescente infrator'', avaliou a promotora.
A assistente de chefia do Núcleo Regional de Educação, Marlene de Mello, reconhece que há resistência de alguns diretores em matricular jovens que já se envolveram com crimes. ''Estamos programando reuniões com o MP e com o quadro de diretores para esclarecer que o direito à educação é constitucional e deve ser respeitado'', disse. Questionada sobre outras medidas de ordem prática a serem adotadas quanto ao problema, Marlene afirmou que ''a reflexão sobre o assunto já é de ordem prática''. (A.M.)

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