Falta de enfermeiras gera curso extra
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de julho de 1998
Paulo Pegoraro 
A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) começou a receber ontem inscrições para o vestibular de uma turma especial de enfermagem no câmpus de Foz do Iguaçu, uma extensão do curso existente no câmpus de Cascavel. Segundo a reitoria, há carência de profissionais do setor na maioria dos municípios do Oeste e Sudoeste do Estado, já que o curso só existe em Cascavel. Além disso, os futuros profissionais poderão ser agregados a um projeto de saúde para comunidades carentes, que deve ser desenvolvido pela Igreja Católica na região de fronteira polarizada por Foz do Iguaçu.
O curso da extensão, com duração de quatro anos, será iniciado possivelmente em setembro, segundo disse ontem o presidente da Comissão Permanente de Vestibular da Unioeste, professor Tarcísio Vanderlinde. Estão sendo oferecidas 40 vagas. As inscrições para o vestibular vão até o dia 31 e as provas serão realizadas no dia 9 de agosto. As matrículas serão feitas nos dias 19 e 20.
A decisão da abertura de turma especial em Foz do Iguaçu foi do Conselho Universitário da Unioeste, seguindo parecer do Departamento de Enfermagem, que indicou a viabilidade e necessidade da extensão.
O câmpus de Cascavel mantém o curso desde 1976, mas muitos formandos são de outras regiões e estados, para onde retornam após a conclusão do curso. Em consequência disso, a rede hospitalar da região tem dificuldades para formar quadros de pessoal ou mantê-los, segundo Nadir Wili, vice-presidente do Sindicato dos Hospitais do Oeste do Paraná, com jurisdição em 23 municípios.
Wili é diretor administrativo de um dos maiores estabelecimentos da região (a Policlínica Cascavel), que emprega 15 enfermeiras e 125 auxiliares. Quando alguém sai, temos dificuldades para novas contratações, diz.
Wili observa que profissionais formados ocupam inclusive cargos de direção em órgãos públicos, até mesmo como secretárias de saúde, em algumas pequenas cidades. Nos hospitais, recebem salários a partir do mínimo, de aproximadamente R$ 800,00, por 6 horas diárias de trabalho, mas ele pode ser maior de acordo com a experiênciaa, acrescenta Wili. Na região de fronteira com o Paraguai deve ser aberto importante mercado de trabalho com o projeto de saúde em preparação pela Igreja Católica.
Segundo a pró-reitoria de Graduação da Unioeste, a diocese de Foz do Iguaçu já tem apoio das congregações religiosas Filhas da Imaculada Conceição e Irmãs de Maria Consoladora, que já desenvolvem programas assistenciais em Foz do Iguaçu. O projeto, que deve levar a um ambulatório e futuramente a um hospital com 80 leitos, considera a insuficiência dos serviços de saúde na região e a grande demanda, inclusive parte de agricultores brasileiros que se transferiram para a fronteira paraguaia, quase totalmente desassistida em Saúde.


