Falta de emprego ofusca comemoração
Trabalhadores em todo o mundo comemoraram hoje o Dia do Trabalho - data que passou a vigorar no calendário da maioria dos países industrializados a partir de 1886, quando trabalhadores de Chicago (USA) foram mortos durante uma greve por melhores condições de trabalho. Naquela época, pediam redução da jornada de ambiente digno nas fábricas. Mais de um século depois, a luta dos trabalhadores é pela manutenção do emprego. Os índices mundiais de desemprego representam hoje a maior ameaça para quem está no mercado profissional.
O problema atinge tanto os países desenvolvidos da Europa quanto aqueles em desenvolvimento como o Brasil. Grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro têm 20% da população economicamente ativa desempregada. A Grande São Paulo tem hoje 1,6 milhão de desempregado, o que representa quase a população de Curitiba.
Os índices de desemprego na capital paranaense não são mais medidos mês a mês, desde o final de 1997, quando terminou a pesquisa de emprego e desemprego do Dieese. Mas o último dado relativo à pesquisa indicava que na região metropolitana havia 14% dos trabalhadores desempregados, contra um índice de 9,5% registrado no início da pesquisa, em dezembro de 94.
O fechamento de postos de trabalho é diretamente proporcional à estagnação da economia. Dados do Ministério do Trabalho divulgados na semana passada mostraram que o Paraná teve um saldo negativo de 35,6 mil empregos formais no ano passado. Isto é, entre o números de carteiras profissionais que deram entrada no Ministério e o número de baixas, o resultado foi negativo. No mesmo período, Santa Catarina fechou com saldo negativo de 2,3% e o Rio Grande do Sul com uma redução de 1,7%. Em 97, o desemprego atingiu 7,4 mil trabalhadores no Paraná.
A geração de emprego existe, mas ela não acompanha a velocidade do desemprego, constata o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Os quatro setores básicos da economia: agricultura, indústria, comércio e serviços apresentaram redução de empregos no ano passado.
O setor de serviços industriais de utilidade pública foi o que mais demitiu, gerando um saldo negativo de 7,9%, ou seja, 1,5 mil trabalhadores da área perderam o registro em carteira. A variação negativa foi de 4,2%, na indústria, o que dá uma média de 1,2 mil trabalhadores sem empregos por mês.
Tanto economistas quanto os governos sabem que o mercado formal de trabalho está em queda no Brasil. Há uma tendência mundial de redução do mercado formal de trabalho, bastam ver as estatísticas, ressalta o secretário de Emprego e Relações do Trabalho, Alex Canziani.
O secretário protagonizou nesta semana uma campanha para convencer empresários a ofertar emprego aos paranaenses. No mês passado, o Serviço Público de Emprego (Sempre) conseguiu novas 12 mil vagas para ofertar aos desempregados, o que representou um recorde histórico. Em abril do ano passado, foram 7,3 mil vagas ofertadas.
Saber manter emprego e acompanhar a evolução do mercado de trabalho é o segredo para permanecer na profissião, alerta a professora visitante da Universidade de São Paulo, Helena Hirata. Pesquisadora do Centre de Etudes Sociologiques na França, Helena diz que o empregador hoje não quer apenas o empregado que tenha qualificação profissional.
As empresas estão atrás de personalidades e não de quem tem diploma no bolso. Cada vez mais o trabalhador tem de saber se encaixar em várias funções dentro da empresa, diz a professora, que esteve nesta semana em Curitiba para um seminário sobre as novas tendências do trabalho. Ela afirma também que cada vez mais o trabalhador está sendo sufocado por metas rígidas impostas pelas empresas, sem que haja uma valorização proporcional pelos serviços prestados.





