Falta de efetivo facilita tráfico em DPs
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quinta-feira, 21 de julho de 2005
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Nem sempre a cadeia é o suficiente para afastar uma pessoa do tráfico e do uso de drogas. Uma prova disso aconteceu nesta semana, quando 42 papelotes de maconha foram apreendidos no 2º Distrito Policial (2º DP) da cidade. A droga, levada ao DP em duas ocasiões diferentes, estava embalada em um frasco de xampu e um pacote de batatas fritas, demonstrando até onde chega a criatividade de quem pretende enviar entorpecentes para presos e expondo, mais uma vez, um problema recorrente à segurança pública em Londrina: a falta de efetivo e de condições de trabalho a que está sujeita a Polícia Civil.
De acordo com o delegado responsável pelo 2º DP, Marcelo Sakuma, a droga chegou ao distrito na tarde de segunda-feira, dia em que os familiares levam mantimentos aos presos. A apreensão foi divulgada no final da tarde de anteontem. ''Uma das encomendas foi descoberta num frasco de xampu, que continha 40 papelotes de maconha. A outra foi encontrada numa embalagem de batatas fritas. Nela localizamos mais duas buchas da droga'', descreveu.
O material foi entregue na delegacia por mototaxistas que, segundo o delegado, não puderam ser detidos. ''No dia da entrega de mantimentos, separamos um grupo de pessoas em um corredor, que mantemos trancado, no caso de encontrarmos material ilícito nas revistas. Nesta segunda, a porta de saída do corredor estava quebrada. Nos dois casos, quando localizamos a droga, os mototaxistas conseguiram fugir antes que o investigador pudesse detê-los'', explicou.
A situação do distrito mostra que mesmo um trinco em condições de uso não impediria a entrada de mais drogas na carceragem. Segundo o delegado, o DP, que tem capacidade para 72 mas abriga 200 presos, recebe às segundas e terças-feiras mais de 400 pessoas para a entrega de mantimentos e visitas. ''Para as revistas, tenho somente um investigador. É virtualmente impossível fazer um trabalho minucioso nestas condições'', afirma.
Tanto Sakuma quanto o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (10 SDP), Jurandir Gonçalves André, dizem que não é possível calcular quantas apreensões do gênero acontecem nos distritos de Londrina. ''Mas tenho certeza de que realizaria uma por semana no 2º distrito se tivesse mais pessoal'', diz o delegado.
Não bastasse a falta de pessoal, os investigadores também encaram a criatividade dos donos das encomendas. Drogas em solas de sapato, embalagens de comida e até mesmo dentro de frutas já foram descobertas e citadas pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle. ''Já vi casos em que a pessoa enche uma bexiga transparente com cachaça e coloca dentro de uma garrafa de refrigerante. O álcool fica praticamente invisível'', descreve Sakuma. ''Não podemos nem culpar a falta de efetivo, por si só. Sem equipamentos adequados, não há como encontrar tudo o que é possível esconder no corpo de uma pessoa'', detalhou o juiz.
O problema é recorrente em todos os distritos policiais da cidade quatro dos seis contam com carceragem. No 2º DP a situação é mais grave pela quantidade de pessoas presas. ''Conseguimos hoje (ontem) a transferência de mais 10 detentos para a Casa de Custódia de Londrina (CCL). Já é um alívio'', afirma Sakuma. O distrito foi até citado pelo delegado chefe da 10 SDP como objeto de atenção especial para solução deste e de outros problemas. Procurada pela reportagem da Folha para comentar os problemas, a Secretaria Estadual de Segurança não deu respostas até o fechamento desta edição.


