Falta de efetivo compromete segurança
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de abril de 2002
Telma Elorza<br>Reportagem Local 
A segurança é, hoje, uma das maiores preocupações da população de Londrina. O medo da violência cresceu tanto nos últimos que a sociedade civil se organizou para ajudar as Polícias Civil e Militar. Mas a falta de efetivo nas corporações pode ser um complicador e tornar-se um sério problema. Até o Corpo de Bombeiros está tendo o trabalho prejudicado pela falta de pessoal. Segundo denúncias feita à Folha, um dos serviços mais importantes oferecidos pelos Bombeiros, o Siate, está com seu quadro de socorristas reduzido e sem pessoal treinado para substituí-los.
Segundo um bombeiro que pediu para não ser identificado , a situação do efetivo na cidade é extremamente grave. Apenas 30 soldados divididos entre equipes de combate a incêndios e Siate fazem plantão diário nos cinco postos da corporação (Jardim Tóquio, Lago Igapó, Rua Tietê, Avenida Saul Elkind e Aeroporto). Só que, destes 30, oito são exclusivamente para atender o Aeroporto da cidade. Para o restante da população cerca de 450 mil habitantes sobram apenas 22 homens, o que dá uma média de um bombeiro para cada 22,4 mil habitantes. Os caminhões saem com três homens cada e o Siate, com dois, quando o certo seriam quatro homens em cada viatura de combate a incêndios e três nas ambulâncias, explicou.
No caso do Siate, o bombeiro explica que vários socorristas estão afastados por licenças médicas. De todos, é o trabalho mais desgastante. O pessoal está estressado, com problemas físicos. Abriram curso para socorrista mas ninguém se inscreveu, afirmou. Segundo ele, o comando do 3º Grupamento de Bombeiros está obrigando outros bombeiros a assumir a função. Ter pessoal sem treinamento neste tipo de serviço é um risco, afirmou.
De acordo com o bombeiro, se não houver contratação urgente de pessoal, em dois anos o efetivo da cidade vai ser reduzido em mais um terço. O pessoal está se aposentando aos 25 anos de profissão. Ninguém quer continuar porque o trabalho é extremamente desgastante e não há retorno financeiro, apontou. Segundo ele, a média salarial entre homens com 15 anos de profissão é de R$ 700,00 líquidos. Ao contrário de outros Estados, que fazem promoções a cada cinco anos de trabalho com ficha boa conduta, no Paraná só há promoções do tipo quando se completa 25 anos de trabalho, afirmou.
Enquanto a ONU recomenda 1 policial para cada 1000 habitantes, em Londrina, aa média é de 1 policial militar para cada 3.284 habitantes
Dos 913 homens do 5º Batalhão da Polícia Militar, 550 fazem o patrulhamento obedecendo escalas, o que resulta em uma média de 137 policiais/dia para uma população de quase 450 mil habitantes


