Caro leitor, bom dia! Com a sua licença para usar uma linguagem um pouquinho diferente do que recomenda as normas do jornalismo, esta matéria vai falar sobre um assunto que tem a tudo a ver com o dia-a-dia de todos nós: a falta de civilidade. A reportagem da FOLHA foi para as ruas retratar o que você já deve ter percebido. De uns tempos para cá, muitas pessoas andam apressadas, individualistas e até mal-educadas, ou malcriadas, como diriam nossos pais e avós.
Pelo jeito, muitos já não pensam nos seus semelhantes. Carros são mal estacionados e ocupam duas vagas. No supermercado, os carrinhos são largados em qualquer lugar. Tem gente que leva o cachorro para passear mas não faz questão de levar um saquinho para recolher o cocô.
Na verdade, são pequenas atitudes - como sorrir, dizer bom dia para um desconhecido, dar passagem no trânsito, não jogar lixo no chão e ceder o lugar no transporte coletivo ou na fila do caixa do supermercado para os mais velhos - que estão em falta. Gestos simples, que custam segundos, mas que fazem bem; tanto para quem pratica quanto para quem recebe o favor. Afinal, é ou não é bom ser tratado com educação?
Para duas simpáticas senhoras, moradoras de Bela Vista do Paraíso, Maria José Borges, 75 anos, e Adélia Luz, 72, a resposta é sim! A reportagem as encontrou no Centro da cidade, na esquina das ruas Senador Souza Naves com Pará, tentando atravessar a rua; uma coisa tão simples, que se torna um verdadeiro martírio pela falta de um semáforo para pedestres.
Sempre apressados, os transeuntes têm que esperar a chance de uma rápida brecha no fluxo de veículos para seguir na caminhada. Mais apressados ainda, os motoristas estão sempre pisando fundo no acelerador, parecendo ignorar a faixa de pedestres.
A exemplo de um ciclista que quase colidiu com uma motocicleta, nossas personagens enfrentaram dificuldades para atravessar a Pará. Vencendo o peso da idade, tiveram até que esboçar uma corrida. ''Sinto falta daquela educação que as pessoas tinham antigamente'', reclamou Maria José. ''Este carinho que as pessoas deviam ter umas com as outras tem que vir do berço. Fico triste, pois quando entramos em um ônibus do transporte coletivo, os jovens fingem que estão dormindo para não ceder o lugar'', completou Adélia.
De fato, parece que ficou para trás o tempo em que as pessoas cediam o lugar para os idosos. Embarcamos com as senhoras em um ônibus da linha 212, que estava cheio, com diversas pessoas em pé. Ninguém se levantou para que elas pudessem sentar. Ninguém.
As pessoas com deficiência também sofrem. As vagas em estacionamentos reservadas para elas quase sempre são invadidas por motoristas que podem se locomover sem nenhuma dificuldade. ''Chego a ficar irritado quando falo disso. Na última semana não pude assistir a uma apresentação na escola da minha filha porque um senhor sem qualquer deficiência física ocupava a vaga reservada para pessoas com deficiência'', desabafa o cantor Paulo Lima, que depende de uma cadeira de rodas.
No Shopping Catuaí, para acabar com esse problema, foi preciso tomar uma medida drástica. As vagas para pessoas com deficiência agora são protegidas por correntes. Para utilizar o espaço, é preciso ligar para os seguranças ou aguardar que um deles apareça para retirar a corrente. ''Devido à falta de respeito de algumas pessoas, tivemos que tomar essa atitude'', lamenta o gerente de marketing do Catuaí, Pedro Franciscon.
Outra coisa que mostra um verdadeiro desrespeito com toda a sociedade é jogar lixo em qualquer lugar. Tem gente que parece ignorar que o papel, a bituca de cigarro ou a lata de cerveja jogadas na rua acabam caindo em um bueiro e têm como destino final um rio ou lago. Justamente em uma época em que tanto se fala da importância de preservar o meio ambiente.
Basta dar uma olhada em qualquer rua do Centro da cidade para perceber que o volume de lixo no chão é vergonhoso. Na Rua Pará, o gari João Jovelino Souza, 68 anos, se esforça para manter a limpeza. ''Vejo o pessoal jogando lixo na rua e fico chateado, mas não posso fazer nada, somente limpar'', resigna-se. Sobre o tipo de lixo que mais recolhe, ele tem a resposta na ponta da língua. ''São as bitucas de cigarro. Tem demais.''
Flagrada pelo repórter jogando o que sobrou de seu cigarro no chão, uma fumante lamentou o seu ato. ''Peço desculpa pelo que fiz, sei que foi falta de educação, não vou fazer mais. Porém, ao lado das lixeiras poderia ter um recipiente com areia para jogarmos as bitucas, pois há o risco de pegar fogo no saco plástico da lixeira. Mesmo assim, nada justifica o que eu acabei de fazer'', reconheceu.

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