A dona de casa e serralheira Ana Thereza Ferreira, 29 anos, é uma das centenas de mães londrinenses com dificuldades para encontrar vagas para os filhos em creches próximas de casa. A falta de capacidade de atendimento do poder público e das entidades filantrópicas está causando transtornos para as famílias e até colocando em risco a integridade das crianças. As filhas mais novas de Ana, por exemplo, têm de acompanhar os pais no trabalho.
''Eu fico preocupada, principalmente com a Sara, que não pára um minuto'', declarou Ana. Apesar dos riscos, por estarem entre serras e martelos, as crianças nunca sofreram nenhum tipo de acidente no trabalho dos pais. O problema poderia ser evitado se houvesse maior facilidade para encontrar vagas nos Centros de Educação Infantil. O objetivo de Ana é matricular os filhos no Centro de Atendimento Integral à Criança (CAIC) da Zona Sul. Ela afirma, no entanto, que a fila de espera é grande e já está perdendo as esperanças de garantir abrigo e educaçãopara os filhos no próximo ano.
''Mudei pra perto do CAIC faz três meses. Se não tiver vaga para os meus filhos perto de casa, eles vão ter que parar de estudar'', resignou-se. A secretária municipal de Educação, Carmem Baccaro Sposti, disse que a instituição deve tentar solucionar casos como o de Ana Thereza no período de matrículas no início do próximo ano. ''Faremos o cruzamento das listas de espera e analisar cada caso para conseguir vagas perto da casa das crianças'', garantiu.
O poder público e entidades do setor, como a Associação Fórum das Entidades Filantrópicas de Londrina, não possuem estatísticas sobre o número exato de crianças que deverão ficar fora das creches no ano que vem. A presidente da entidade, também conhecida como Fórum das Creches, Maria Inez Gomes Domingues de Oliveira, disse que entre 10 e 13 mil crianças deverão ficar sem atendimento em 2005. ''Outro problema é que os repasses federais estão atrasados. A última parcela foi recebida somente em setembro'', revelou.
Outra dificuldade apontada por Maria Inez foi a determinação de transferência dos alunos da pré-escola para as escolas municipais. A medida, anunciada pela Secretaria da Educação, sofreu mudanças após reclamações de integrantes do Fórum. ''Vamos tentar resolver cada caso pontualmente'', decretou Carmem. As crianças de 6 anos poderão frequentar a escola durante meio período e a creche no contra-turno. Outra alternativa será adaptar escolas para abrigar os alunos em período integral, com atividades complementares.
A definição das instituições com condições de desenvolver atividades complementares será feita através de vistoria da Secretaria de Educação. Nove creches já foram autorizadas pelo órgão para fazer o atendimento de alunos em idade de pré-escola. Londrina possui hoje cerca de 8.200 vagas em 63 creches filantrópicas e doze públicas.

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