LONGA FILA Falta de creche atinge 12 mil crianças Pesquisa do Conselho Tutelar de Londrina mostra que é cada vez maior o número de menores que esperam por vaga em creche Mário CésarDESPESAMaria Aparecida da Silva: R$ 40,00 para garantir vagasMário CésarRESPONSABILIDADEDébora e o irmão Tiale: há três anos a menina cuida dos dois irmãos menores para a mãe trabalharMário CésarAnjelita Cirilo e crianças do João Turquino: preocupaçãoMário CésarSueli desistiu do trabalho Érika Pelegrino de Londrina Milhares de mulheres em Londrina vivem um drama diário para trabalhar: conseguir vagas em creches. O déficit de 12 mil vagas para crianças até 6 anos, segundo pesquisa feita pelo Conselho Tutelar, produz um contingente cada vez maior de crianças que ficam sozinhas em casa enquanto os pais trabalham. É comum encontrar crianças de apenas cinco anos tomando conta de outras menores, inclusive de bebês. Mulheres que têm um pouco mais de sorte conseguem vagas em creches distantes e diariamente enfrentam um longo trajeto para deixar os filhos e depois ir para o trabalho. Édna, moradora do Jardim João Turquino, região oeste de Londrina, é uma destas mulheres. Sua vizinha Anjelita Cirilo, 23 anos, conta que ela sai diariamente de madrugada com os filhos de um e dois anos para levá-los na creche na região central antes de ir trabalhar. ‘‘Em dia de chuva dá dó de vê-la sair com as crianças no meio da lama (o bairro não tem asfalto)’’, afirma. Ganhando salário mínimo e muitas vezes valores inferiores, estas mulheres encontram muita dificuldade para conseguir alguém que cuide dos filhos, já que o salário que podem pagar é irrisório. Anjelita conta que sua irmã enfrenta este problema. ‘‘Ela paga uns trocados para uma moça cuidar da filha dela, que tem um ano. Mas a pessoa já disse que não vai mais ficar com a criança porque o que ela ganha não compensa’’, afirma Anjelita. ‘‘Não sei como minha irmã vai fazer’’. Maria Aparecida da Silva, moradora do Jardim Campos Eliseos, zona sul, vive um drama ainda maior. Para garantir o possível emprego que ela pretende conseguir, paga R$ 40,00 para deixar os dois filhos de 5 e 3 anos em uma creche particular. ‘‘Não posso correr o risco de conseguir um emprego e perdê-lo por não ter onde deixar as crianças’’, afirma. ‘‘A gente precisa ter vaga em creche municipal senão passa fome sem poder trabalhar’’. Maria Aparecida diz que não tem o que dar de comer para as crianças, mas não deixa de pagar a creche. ‘‘Agora mesmo eu estava lavando roupa e estava pensando o que ia dar para as crianças comer. Não tenho nada em casa’’, lamenta. ‘‘Mas como vou fazer, não posso deixar as crianças sozinhas em casa’’. Sueli da Silva Gonçalves, outra moradora do Jardim João Turquino, parou de trabalhar há um mês para ficar com a filha de 1 ano e oito meses. ‘‘Ela ficava com a vizinha, mas como ficou muito doente parei de trabalhar’’, conta. Ela trabalhava no aterro sanitário onde tirava uma média de R$ 75,00 por mês. Mãe de cinco filhos, comenta que hoje este dinheiro está fazendo muita falta. ‘‘Meu marido está no litoral vendendo sorvete, mas não ganha quase nada’’, reclama. Júlio Botelho, do Conselho Tutelar, afirma que durante todo o ano diversas mães procuram o órgão em busca de vagas em creches. ‘‘Algumas conseguem, mas muitas ficam muito tempo na fila de espera’’, explica. Ontem o conselheiro participou de uma reunião com os pais da zona sul de Londrina para buscar alternativas para a falta de vagas em creches naquela região.

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