James Alberti
De Curitiba
Para suprir falta de alimentos, familiares dos presos que moram na Grande Curitiba estão levando comida de casa
A fome passou a disputar com a superlotação a condição de mais grave problema enfrentado pelos presos nas cadeias de Curitiba e região metropolitana. Os 120 detentos do 11º Distrito Policial, na Cidade Industrial de Curitiba, por exemplo, têm que dividir entre si as cerca de 80 refeições mandadas pelo governo do Estado. Para suprir a falta de alimentos, familiares dos presos que residem na cidade estão levando comida todos os dias até a cadeia, que tem capacidade para 30 detentos.
O assessor de imprensa da Secretaria da Segurança Pública, Valdir Bicudo, disse que não há falta de alimento. Segundo ele, há presos que se recusam a alimentar-se da comida fornecida pelo Estado, preferindo a trazida por familiares. ‘‘Muitos presos não querem comer aquela comida porque a família traz’’, afirmou.
A diarista Adriana Barreto da Silva, 22 anos, demostra o contrário. Ela toma um ônibus no bairro Xaxim e demora 45 minutos para chegar à cadeia e entregar o almoço para o marido, o mestre de capoeira Jessé Matias Braga, 39 anos. Preso por assalto há 45 dias, Braga afirma que a comida entregue pelo governo não dá para todo mundo. Muitos detentos dividem com outros presos o alimento que recebem dos familiares para amenizar a fome.
Conforme o superintendente do distrito policial, Guataçara Lopes Bueno, são os familiares, uma igreja evangélica e comerciantes da região que têm evitado que a situação se agrave. Além disso, Bueno gastou dinheiro próprio para comprar material de expediente e um fax para o distrito.
Para a encarregada da carceragem do 11º DP, Cleuci Maria Wagner, a superlotação e a falta de alimento agravam o trabalho dos policiais, que sofrem com o excesso de trabalho. A falta de agentes é outro drama vivido na região metropolitana.
Segundo o delegado Naylor de Lima, do 8º distrito, fica difícil investigar com o pequeno número de policiais e ainda cuidar de presos. ‘‘Os agentes têm que investigar nas horas de folga’’, conta. Dos três policiais de plantão, um tem que cuidar dos detentos e os outros atendem cerca de 30 ocorrências por dia. Segundo Valdir Bicudo, o secretário da Segurança, Cândido Martins de Oliveira, já determinou que seja realizado um remanejamento de funcionários, até que sejam contratados policiais aprovados em concurso recente.

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