Falta de cinto gera 26 multas por dia em Londrina
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quarta-feira, 12 de junho de 2019
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

O uso do cinto de segurança é obrigatório em todo o território nacional desde 1997, tanto para o condutor do veículo, como para os passageiros. Determinado pelo artigo 65 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e instituído pela Lei nº 9.503, caso seja constatada a falta de seu uso, a infração é grave e gera multa de R$ 195,23, além do motorista perder cinco pontos na carteira. Em Londrina, levantamento elaborado pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) mostra que 3.937 motoristas foram multados por cometerem essa infração entre janeiro e maio de 2019, ou seja, foram mais de 26 multas por dia.
O técnico em eletrotécnica Francisco Valdenir de Souza, 42, relata que já sofreu acidente na estrada e o desfecho da história poderia ter sido diferente se estivesse sem o equipamento. “O que me salvou foi o cinto de segurança. Após isso, jamais deixei de usar. Alguns amigos saem de carro sem cinto. Eles falam que só vão até a esquina ou até a padaria, mas são esses trajetos curtos que são perigosos. Pode acontecer uma fatalidade”, destaca.
Foi em um trajeto curto que a filha da nutricionista Adriana Lopes, 52, sofreu um acidente. “O acidente foi na rua Mato Grosso (Centro), quando um carro cruzou o sinal vermelho e pegou o carro dela no meio. Se ela estivesse sem cinto quando o carro dela se chocou contra a árvore, teria batido a cabeça contra o para-brisa. O carro teve perda total e ela poderia ter morrido”, relata. . Ela afirma que antes da obrigatoriedade de uso do cinto de segurança, as pessoas não tinham consciência do que poderia acontecer. “No começo as pessoas começaram a usar por causa da multa, porque pesou no bolso, mas a gente começou a ver o lado positivo. Hoje eu vejo que é um absurdo a gente não ter usado o cinto naquela época”, destaca.
Às vezes a cobrança parte das pessoas mais próximas. O restaurador de móveis Junior Ferreira de Jesus, 32, relata que a sua filha cobra o tempo todo para que ele use o cinto de segurança, mesmo quando ele está manobrando o carro na garagem. “Eu me acostumei. Eu preciso colocar o cinto para ficar mais seguro no carro. Sem ele parece que eu fico solto”, descreve.
O metalúrgico Roger Fernando Junior Fernandes, 30, trabalha na construção de estruturas metálicas e sabe que um motorista sem cinto de segurança pode sofrer um impacto semelhante a alguém que cai de uma altura muito grande. "Da mesma forma que uso equipamento de segurança trabalhando nas alturas, as pessoas precisam usar o cinto de segurança dirigindo. O equipamento foi feito para salvar a vida da gente."
O diretor de Trânsito da CMTU, major Sérgio Dalbem, afirmou que esse número volumoso de pessoa flagradas sem cinto de segurança é decorrente da falta de conscientização. "Mesmo com toda essa informação disponível sobre as vantagens de se usar o equipamento, as pessoas não usam. Em vez de melhorar a conscientização, parece que há uma vontade de desobedecer as regras de trânsito”, destaca.
SEM SENTIDO
Muitas pessoas que não usam o cinto de segurança apresentam as mais variadas desculpas, , desde o incômodo provocado pelo equipamento, até a possibilidade de dificuldade para se soltar do carro em caso de acidente. Aos que reclamam do incômodo de se usar o cinto, Dalbem observa que o equipamento se encaixa perfeitamente no corpo. “Os veículos não são como antigamente, em que o cinto era desconfortável."
Sobre os passageiros que se sentam no banco de trás, ele aconselha os motoristas a fazerem o alerta sobre a obrigatoriedade. “Em casa, os meus filhos achavam que o veículo só ligava se colocassem os cintos de segurança. Foi um condicionamento que apliquei para que eles passassem a usá-los”, relata.
RANKING
O excesso de velocidade permanece como a principal infração em Londrina. Somente entre janeiro e maio, foram 26.894 multas. Avançar o sinal vermelho do semáforo também segue entre as infrações mais cometidas, com 5.707 episódios. Também foram registradas 2.704 ocorrências por dirigir o veículo manuseando o telefone celular.
O diretor de Trânsito da CMTU, major Sérgio Dalbem, explica que o motorista que trafegam em determinada rua a 40 km/h não vê o número de pedestres que circulam por aquele local, principalmente se houver grande número de comércio ou escolas. "As placas de sinalização tentam disciplinar o convívio entre carros e pedestres", ressalta.
Ele afirma que a direção da CMTU pretende direcionar as ações para aquisição de equipamentos de sinalização melhores, tinta, decibelímetro e outros equipamentos para ajudar a conscientizar os motoristas.
Segundo levantamento da CMTU, de janeiro a maio foram registrados 1.493 acidentes, que resultaram em 1.813 feridos e 29 óbitos. O número de vítimas fatais é menor se comparado ao mesmo período de 2018, quando aconteceram 44 óbitos.


