Falta de calçadas coloca pedestres em risco
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quarta-feira, 03 de novembro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
A falta de calçadas em regiões com grande concentração de pedestres está colocando em risco parte da população da Zona Sul de Londrina. Segundo os próprios moradores, as ruas próximas à PR-445 são as mais problemáticas, sendo frequentes os registros de acidentes e casos em que o espaço das ruas têm que ser dividido com motos, carros e caminhões.
A construção e manutenção das calçadas é de responsabilidade dos proprietários dos imóveis que ficam às margens das vias. Segundo o diretor de aprovação de projetos da Secretaria de Obras, Alexandre Andrade Addário, as regiões Sul e Central de Londrina são consideradas as mais críticas. De acordo com o diretor, a construção de calçadas nas proximidades da rodovia, entre os bairros Ouro Branco e Atlanta, e a manutenção no Centro são as prioridades definidas pela prefeitura, que deve intensificar a fiscalização nestas regiões.
Em casos mais extremos, moradores chegam a pagar para que pessoas acompanhem os filhos até a escola, devido à preocupação com o trânsito nas vias sem calçadas. O exemplo foi citado pelo construtor Nilson Correia de Oliveira, pai de crianças de 10, 7 e 4 anos. ''Há três anos, quando morávamos no Ouro Branco e meus filhos estudavam longe do bairro, eu pagava R$ 70,00 mensais para uma pessoa levá-los à escola. E mesmo essa pessoa reclamava para mim que tinha medo de andar nas ruas. Sem calçada, isso aqui fica muito perigoso'', afirmou Oliveira, que se livrou das despesas ao matricular os filhos em uma escola mais próxima de casa, no Jardim Atlanta.
O construtor cita também a Avenida Guilherme de Almeida, paralela à rodovia, como outro ponto de alto risco para pedestres. ''Muitas vezes as pessoas esquecem que a avenida é de mão dupla e acabam sendo atropeladas. As marginais da rodovia são realmente muito perigosas'', destacou.
A dona-de-casa Maria Helena Wenzel de Souza, que reside no Cafezal I, também na Zona Sul, reclamou da falta de atenção dos motoristas, que, segundo ela, não têm conhecimento de que a região não conta com calçadas. ''Perdi a conta de quantas vezes tive que desviar de carros quando estou indo para a casa dos meus filhos, que moram no Ouro Branco'', explicou. ''Tenho até um amigo que foi atropelado por aqui, há cerca de quatro anos, e teve que se aposentar por invalidez'', lembrou.
Addário reconhece a gravidade do problema, mas afirma que a solução permanente para a questão é virtualmente impossível de ser alcançada. ''Terrenos são abertos e casas são construídas o tempo todo na cidade. É normal que, pelo menos por um tempo, as ruas fiquem sem calçadas, até que os proprietários regularizem a situação'', disse.
Desde janeiro, a secretaria já emitiu 104 ofícios para execução de muretas e calçadas e a intenção da administração municipal, segundo Addário, é intensificar a fiscalização sobre os proprietários a partir do próximo ano. ''Hoje temos 10 fiscais para realizar todos os serviços relativos à secretaria. Devemos contratar mais gente a partir de 2005 e a fiscalização vai ser priorizada'', completou.


