A demanda existe, mas a falta de um banco de peles no Paraná para beneficiar vítimas de grandes queimaduras, impossibilita que mais transplantes sejam realizados. Segundo médicos do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Universitário (HU) de Londrina, os transplantes feitos com material colhido de doadores cadáveres poderiam ajudar pelo menos 40% dos pacientes que dão entrada no setor. Em abril, o hospital realizou a primeira cirurgia para colocação do chamado ''curativo biológico'' desde que foi inaugurado, há nove meses, mas teve que recorrer ao banco de Porto Alegre (RS), único do País.
Segundo um dos cirurgiões plásticos do CTQ, Yoshihico Ito, o procedimento de transplante de pele é indicado para vítimas que tenham sofrido queimaduras em grandes extensões do corpo - mais de 45% - e não possuam áreas doadoras suficientes para cobertura imediata das lesões, normalmente de segundo e terceiro graus. ''A pele doada funciona como um curativo biológico que permanece, em média, 30 dias no corpo do paciente, e substitui temporariamente as funções da pele original do paciente. O organismo vai rejeitar a pele doada mas é o suficiente para que o paciente se recupere adequadamente e fique pronto para receber o auto-enxerto.'' Com isso, os custos com tempo de internação, por exemplo, podem diminuir.
Outro integrante da equipe multidisciplinar que atua no HU, o pediatra Akira Motomatsu Júnior, observou que as condições gerais do paciente melhoram muito. ''Normalmente, o paciente vítima de queimaduras desnutre muito rápido, mesmo recebendo dietas adequadas. No caso da criança tratada no hospital, a gente conseguiu nutrir muito melhor'', comentou. Como o transplante é temporário, não há necessidade de haver compatibilidade entre doador e receptor.
Quando o curativo biológico não é usado, o paciente sofre muito mais para se recuperar. De acordo com Ito, vítimas de queimaduras precisam ser anestesiadas praticamente todos os dias para a limpeza do local e substituição dos curativos. Com isso perdem sangue, ficam mais debilitados e os riscos de infecção aumentam.
Ito aponta que o uso do curativo biológico poderia beneficiar pelo menos 40% dos pacientes que dão entrada no Centro de Queimados do HU, que é uma referência para praticamente todo o interior do Estado. Além de usar pele de doadores cadáveres, o cirurgião apontou que o banco de Porto Alegre já capta também peles retiradas em outros procedimentos de cirurgias plásticas.
O cirurgião lembrou que o HU está implantando um banco de ossos, que também poderia abrigar um banco de peles. Ele observou que é preciso fazer um estudo sobre a viabilidade da idéia, mas antecipou que a estrutura poderia ser compartilhada. ''Um banco de pele só não é suficiente para abastecer todos os centros de queimados no País'', argumentou.

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