Curitiba - As campanhas de sensibilização para aumentar a doação de órgãos no Brasil parecem ainda não surtirem o efeito desejado. Números da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostram que a não efetivação de doações é expressiva e o principal motivo é a não autorização familiar.
Nos 21 estados listados pela entidade, quase 80% dos potenciais doadores não foram aproveitados: de 2.950 pessoas, apenas 603 foram doadores efetivos. Os dados são do primeiro semestre de 2008.
No Paraná, a situação foi semelhante: de 156 doadores, apenas 31, ou o equivalente a 19,9%, efetivaram as doações, sendo que na maioria (93,5%) foi possível a retirada de múltiplos órgãos. Em quase 40% dos casos, a negativa familiar foi o empecilho. No entanto, a falta de estrutura também pode comprometer a doação mesmo quando a família tomou a decisão de autorizar a retirada dos órgãos.
Um caso recente ocorrido em Curitiba retrata bem essa situação. Os familiares de Helena Choinski Schwartzbach, 49 anos, que morreu vítima de atropelamento, autorizaram a retirada dos órgãos, atendendo desejo manisfestado por ela em vida. Helena chegou a ser internada no Hospital do Trabalhador, mas não resistiu aos ferimentos. Como ela teve parada cardiorrespiratória, a captação de órgãos vitais ficou inviabilizada. Somente córneas, válvulas cardíacas e ossos podem ser aproveitados nesses casos. A não efetivação de doações por parada cardiorrespiratória representaram 22,6% do total no País e 1,9% no Paraná. Apenas três casos foram registrados.
A médica da Central de Transplantes do Paraná, Lana Chab, explicou que o atestado de óbito de vítimas de acidente ou violência devem ter a assinatura de um legista do Instituto Médico Legal (IML). Apenas depois de cumprida essa formalidade, as equipes médicas dos hospitais podem fazer a retirada dos órgãos. Segundo Lana, no dia da morte de Helena -10 de janeiro, um sábado-, o médico plantonista do IML teria dito que não poderia ir ao hospital e solicitou a remoção do corpo para o instituto. Por não dispor de estrutura adequada, no IML, só foi possível fazer a retirada das córneas.
Lana assegurou que se tratou de um caso isolado e que, até então, a Central de Transplantes não havia registrado nenhum outro contratempo dessa natureza que tivesse atrapalhado a doação de órgãos. A FOLHA procurou o IML, mas não localizou o responsável para esclarecer o caso.
Em 2008, foram realizados 1.401 transplantes de órgãos e córneas no Paraná: 6,6% a mais que no ano anterior. A Central contabilizou, ainda, a realização de 1.867 transplantes de tecidos e medula óssea, o que representou um crescimento de 18,6% em relação a 2007. Atualmente, 4.607 pessoas aguardam um transplante no Estado.

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