Falta de ajuda causa surpresa
Uma das metas da casa de recuperação Recanto Maranata é fazer um trabalho de extensão junto à família das jovens em recuperação. ‘‘O maior problema destas jovens está dentro das famílias. Muitas, quando terminam o tratamento, não querem voltar para casa’’, conta Izabel Bento. ‘‘Os pais precisam ser preparados para receber as filhas que estão se recuperando. Mesmo que as famílias não mudem totalmente, precisam estar mais conscientes’’, complementa.
Ao terminar o tratamento, segundo Izabel, as jovens que não querem voltar para casa serão encaminhadas de alguma forma. ‘‘Na rua elas não ficam de jeito nenhum’’, garante. ‘‘Ou vão estar com uma profissão, ou vão ficar como funcionárias da casa.’’
Como o Recanto Maranata existe há apenas um ano e ainda está se estruturando, com muitas dificuldades, o trabalho de extensão familiar é apenas um projeto. ‘‘Temos muitas dificuldades. Quando criamos o recanto acreditamos que a comunidade iria ajudar mais. Mas isso não aconteceu.’’
Entre água, luz, telefone, aluguel, alimentação e material de limpeza, as despesas do último mês chegaram a R$ 900,00. O dinheiro é conseguido com algumas pessoas que Izabel conhece. ‘‘Um dá R$ 100,00 outro dá R$ 150,00. E assim nós vamos juntando o dinheiro do mês.’’ As promoções também são alternativas encontradas pelo pessoal do Recanto Maranata para cobrir as despesas.
Para a próxima semana já está agendada uma promoção de corte de cabelo, feita pelo cabeleireiro londrinense Robson, conhecido na cidade por ações em benefício de entidades como o Recanto Maranata. ‘‘Em troca do corte de cabelo as pessoas trarão um quilo de alimento’’, avisa Izabel.
Com capacidade para 15 pessoas, a casa está com 23 internas e todos os dias Izabel recebe ligações do Conselho Tutelar de Londrina e de outras cidades querendo encaminhar mais jovens. ‘‘Hoje mesmo ligaram de Apucarana querendo vaga para duas irmãs. Mas não temos mais onde colocar as meninas.’’
A casa de quatro quartos ficou pequena até para desenvolver o trabalho com as adolescentes. O tratamento é dividido em três etapas: três meses para desintoxicação, três meses de terapia para descoberta do motivo que as levou às drogas e mais três meses de preparação para reintegração na sociedade. ‘‘O ideal seria que as meninas que estão na primeira etapa ficassem em uma casa separada das outras’’, afirma Izabel. Mas sem verba até para contratar funcionários, alugar uma outra casa é impossível. A equipe do recanto é formada por psicólaga, enfermeira, médico, pastor, assistente social e professores, todos voluntários.
A expectativa de Izabel, para dar continuidade ao trabalho de recuperação, é uma sensibilização da sociedade. ‘‘Precisamos de mais gente com disposição para ajudar.’’ (E.P.)

mockup