Lucinéia Parra
De Maringá
O prefeito de Mandaguaçu (16 quilômetros a noroeste de Maringá) Rômulo Ceccon (PT) pretende multar a Sanepar pela falta de obras na cidade. Há seis meses, moradores da Vila Guadiana e dos Conjuntos Residenciais Aldo Aquarone e Morada do Sol convivem com a falta de água em períodos cada vez mais prolongados. No último final de semana, o abastecimento foi suspenso na sexta-feira de manhã e só voltou na madrugada seguinte. Mas durante o sábado, os moradores voltaram a ficar sem água.
De acordo com o prefeito, a Sanepar ‘‘conhece o problema há muito tempo e nunca tomou providência’’. Ele está aguardando um estudo por parte do departamento jurídico da prefeitura sobre o contrato de concessão com a Sanepar para multar a empresa. ‘‘Se o contrato previr multa pela falta de atendimento à população nós vamos colocar esta punição em prática’’, disse Ceccon. Segundo ele, a Sanepar só agora está dando início ao processo de licitação para construir uma subestação elevatória na região dos três bairros. ‘‘A previsão da própria Sanepar é iniciar a obra em 60 dias por causa do processo demorado da licitação, mas entendo que, pela urgência, a Sanepar deveria até suspender a licitação’’, disse o prefeito.
Os moradores aprovam a intenção do prefeito. ‘‘Ele já deveria ter ameaçado a Sanepar há muito tempo’’, disse a dona de casa Vera Lúcia Castro, 35 anos. Ela mora na Vila Guadiana há 12 anos e afirmou que nos últimos meses a falta de água é constante. ‘‘Não sei como ainda não tive um infarto de tanto nervoso que já passei por causa da falta de água’’, desabafou. Segundo ela, os moradores já reclamaram diversas vezes na Sanepar. ‘‘Mas a única coisa que os funcionários afirmam é que a gente tem que levar o problema para a chefia da Sanepar, em Maringá ou em Curitiba, mas como é que vamos até lᒒ, reclamou.
O marido de Vera Lúcia, o lavador de carro José Pereira Filho, 40, também não se conforma com a falta de água. ‘‘Teve um domingo que recebemos visitas e não pudemos nem fazer almoço porque não tinha água’’, disse. ‘‘Além de não ter água a gente ainda tem que pagar um absurdo pela conta’’, afirmou Vera Lúcia.
‘‘Isso aqui tá virando caso de polícia. A gente fica sem água dia de semana e nos finais de semana também. Como é que dá para viver sem água?’’, indagou a dona de casa Maria Aparecida Moreira, 54.
De acordo com o gerente de negócios da Sanepar, em Maringá, Saulo Anselmo de Souza, o problema nos três bairros se agravou pelo crescimento acentuado da população. ‘‘Água nós temos, mas o problema é com o sistema de bombeamento. Para sanar este problema já temos o projeto de uma nova subestação elevatória’’, explicou. Souza confirmou a declaração do prefeito, afirmando que a licitação da obra será concluída em 60 dias. ‘‘Só depois daremos início à obra’’.
Sobre a demora da Sanepar para tomar uma iniciativa, Souza disse que a principal dificuldade foi elaborar o projeto da subestação. ‘‘O processo é demorado porque envolve uma série de estudos’’. Nos três bairros existem cerca de duas mil residências. Souza garantiu ontem que a partir do funcionamento da futura subestação o problema da falta de água nos bairros será sanado.

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