Falta de água prejudica 260 mil ponta-grossenses
Problema foi registrado entre domingo e terça-feira; Sanepar informou que fornecimento foi restabelecido para 90% dos consumidores
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de março de 2025
Problema foi registrado entre domingo e terça-feira; Sanepar informou que fornecimento foi restabelecido para 90% dos consumidores
Simoni Saris - Grupo Folha 

A Sanepar informou, na manhã desta quarta-feira (19), que o abastecimento de água em Ponta Grossa (Campos Gerais) foi restabelecido para 90% dos consumidores. Segundo a companhia, desde a tarde de terça-feira (18), a produção de água tratada foi 100% restaurada e o fornecimento estava sendo retomado gradativamente.
Nesta quarta-feira, o sistema de abastecimento ainda contava com o suporte de 17 caminhões-pipa para o atendimento a clientes considerados prioritários, como serviços de saúde e educação. Esse reforço também auxiliava o reabastecimento das redes de distribuição de água nos pontos mais distantes dos reservatórios. Mas como o sistema ainda está em recuperação, no decorrer do dia poderia ocorrer a baixa pressão ou intermitência no abastecimento, de acordo com a dinâmica de consumo.
Em reunião realizada na última segunda-feira (17), entre secretários municipais e representantes do Legislativo, a Sanepar justificou a falta de água por problemas na obra de captação da empresa no rio Pitangui. Desde domingo (16), 70% dos consumidores ficaram sem água, o que corresponde a quase 260 mil pessoas. Ponta Grossa é a quarta maior cidade do Paraná e tem uma população de cerca de 370 mil habitantes. Sem água, muitos deles foram obrigados a recorrer a bicas e fontes para garantir água para as necessidades básicas domésticas.
SERVIÇOS ESSENCIAIS SUSPENSOS
Em razão da gravidade do problema, serviços essenciais foram suspensos no município, no início desta semana. O HU-UEPG (Hospital Universitário da Universidade Estadual de Ponta Grossa), mesmo sem ser afetado pelo desabastecimento, reagendou, na terça-feira, as cirurgias eletivas. Cerca de 30 procedimentos foram desmarcados. A medida foi preventiva por causa do baixo nível de água nos reservatórios e o hospital priorizou a manutenção dos atendimentos de urgência e emergência.
Na manhã desta quarta-feira, com o fornecimento de água restabelecido, os atendimentos e cirurgias também começaram a ser retomados gradualmente. A expectativa era de que o atendimento de 100% dos pacientes fosse normalizado até esta quinta-feira (20).
Algumas escolas também optaram por suspender as atividades. Dos 48 colégios estaduais do município, 60% substituíram as aulas presenciais pelas remotas na terça-feira. A reportagem não conseguiu informações com a Secretaria de Estado da Educação nem com o Núcleo Regional de Educação de Ponta Grossa sobre como estavam as atividades nesta quarta-feira.
Na Prefeitura Municipal de Ponta Grossa, o atendimento ao publico foi suspenso no início da semana. A prefeita, Elizabeth Schmidt, solicitou formalmente à Sanepar a isenção das tarifas referentes ao abastecimento de água no período equivalente a, no mínimo, três meses para todos os consumidores ponta-grossenses. "Nossa paciência já acabou. Ninguém pode ficar mais nenhum dia sem água. Por isso, estamos aplicando sanções à empresa e solicitando formalmente a isenção das tarifas de período equivalente a no mínimo três meses para todos que residem em Ponta Grossa”, disse a prefeita.

A Secretaria Municipal do Ambiente noticiou a Agepar (Agência Reguladora do Paraná) para adotar providências urgentes diante da situação de desabastecimento de água. Na notificação, a administração municipal destacou que a Sanepar deixou de cumprir a obrigação lega de informar previamente qualquer interrupção no fornecimento do serviço com, pelo menos 48 horas de antecedência.
“É fundamental que a Sanepar tome medidas imediatas para a resolução dos problemas enfrentados pela população, prezando pela transparência nas suas ações”, afirmou o procurador-geral do município, Gustavo da Matta.
A prefeitura irá aplicar sanções previstas em lei, como multa correspondente a 10% do faturamento bruto mensal da companhia de água e esgoto.


