A constante falta de água em muitos bairros de Cascavel está motivando discussões sobre a possibilidade de municipalização do serviço, incluindo esgotos. Projeto já tramita na Câmara de Vereadores. Ontem ocorreu mais um dos contínuos protestos de donas-de-casas revoltadas com a falta de água. No bairro Santa Felicidade, zona sul da cidade, elas fizeram um ‘‘baldaço’’, agitando baldes vazios, inconformadas com o desabastecimento mesmo com vários dias de chuvas até a terça-feira.
Catarina Nunes, 38 anos, viúva, mãe de três filhos, disse que teve que guardar água da chuva para preparar alimentos. Ela mora há 5 meses no bairro e pensa em retornar para o sítio de sua família, no município vizinho de Ibema. ‘‘Lá é no meio do mato, mas pelo menos tem água, e limpa’’, disse. ‘‘Quando a água volta a ser fornecida pela Sanepar ela tem um gosto muito forte de cloro ou é marrom, toda embarrada’’, reclama.
Também há queixas sobre o valor das faturas. A dona-de-casa Catarina Nunes, por exemplo, disse que no mês passado pagou R$ 15,00 e este mês a conta subiu para R$ 37,00. ‘‘Isso mesmo com vários dias sem água e sem que a gente tenha aumentado o consumo’’, reclama.
Os problemas são comuns em outros bairros, principalmente os localizados em regiões altas da cidade ou mais afastados da estação de tratamento da Sanepar. No final de agosto, o gerente da companhia, Afonso Marangoni, havia assegurado que a cidade estava ficando ‘‘livre’’ do desabastecimento, com a entrega das obras que haviam sido executadas. No entanto, as alegações são as mais variadas para justificar o problema de falta de água: danos na estação, rompimento de redes e necessidade de implantar tubulação de maior bitola.
‘‘Estamos fazendo diversas melhorias, mas as chuvas têm dificultado os trabalhos’’, argumenta Morangoni. ‘‘Quanto a água embarrada não há problema porque ela é devidamente desinfetada’’. Para o vereador Aderbal Mello (PT), autor do projeto para municipalização do serviço, o esforço e a capacidade técnica do pessoal da Sanepar não têm sido suficientes para solucionar os problemas na cidade. ‘‘Desde que começou a ser assumida pela iniciativa privada, a empresa só se preocupa com o lucro’’, criticou.