A falta d'água que afeta o Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina praticamente desde a inauguração, no final de abril deste ano, teria relação direta com uma denúncia de agressão contra um preso na semana passada. Agentes foram afastados pela direção da unidade, que investiga ainda uma outra queixa de agressão contra um outro interno. Uma cisterna deverá ser perfurada para amenizar o problema no abastecimento de água e pôr fim ao racionamento.
O diretor do Centro de Detenção, major Raul Leão Vidal, confirmou que o preso Lincon do Nascimento, supostamente agredido, estaria reclamando da falta de água. Extra-oficialmente, o major apurou que o preso teria desrespeitado os agentes e, ao ser retirada da cela para seguir para o isolamento, acabou sendo agredido.
Nascimento foi encaminhado para exame no Instituto Médico Legal (IML) mas o laudo ainda não foi concluído. Ele foi transferido para a Casa de Custódia de Londrina (CCL). Major Vidal informou que o inspetor e o auxiliar de inspetoria que trabalhavam no turno foram afastados até a conclusão da sindicância aberta para apurar a culpabilidade ou não dos servidores.
O diretor revelou que esta não foi a primeira denúncia de agressão relatada por um dos 860 presos da unidade. Segundo Vidal, uma outra sindicância foi aberta há algumas semanas para investigar a denúncia de que um detento também teria sido agredido ao ser retirado da cela.
O major comentou ainda que o problema no abastecimento de água estaria ocorrendo porque o consumo estaria ficando um pouco acima da capacidade projetada. Ele destacou que já foram tomadas medidas para baixar o consumo.
'' Ativamos a lavanderia, que não estava funcionando por problemas na instalação, para lavar as roupas que eram lavadas nas celas; diminuímos a vazão da caixa de descarga e cortamos a água três vezes por dia, nos horários de menor demanda'', apontou Vidal. O racionamento só deve ser abandonado após a construção de uma cisterna na unidade, que ainda não foi licitada. O Centro de Detenção fica na Zona Sul de Londrina.
A FOLHA tentou contato com o advogado do preso que denunciou a agressão, Hamilton Laertes Araújo, mas ele não foi localizado pelo telefone.

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