James Alberti
De Curitiba
Cresce em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, a reação contra o rodízio no abastecimento de água, que deve ser implantado no domingo pela Sanepar. Ontem a prefeita da cidade, Isabete Cristina Pavin, afirmou, durante entrevista coletiva, que um erro de planejamento da Sanepar provocou a falta de água e levou cerca de 83 mil habitantes a enfrentar racionamento por um ano.
Para minizar o problema local, a prefeita propôs estender o racionamento para outros municípios da região metropolitana e a realização de uma campanha de conscientização para que as pessoas economizem água – que seria canalizada para Colombo.
O gerente de abastecimento da Sanepar, Celzo Luiz Tomaz, afirma que não há viabilidade técnica para implantar o esquema. ‘‘Mesmo que Curitiba economizasse 100% da água, não teríamos como aumentar o abastecimento de Colombo. Não há tubulação e bombeamento suficientes’’, disse. O sistema de Curitiba e da Represa de Capivari são responsáveis pelo abastecimento de 80 mil pessoas de Colombo.
Embora existam no papel, projetos nesse sentido ficam congelados no período de um ano. A Sanepar aposta todas as fichas na exploração do aquífero Karst, que seria suficiente para abastecer a cidade. O problema é que uma retirada de volume significativo de água do Karst só deve acontecer em 2001. Isso se o projeto de impacto ambiental que vem sendo realizado confirmar as previsões otimistas da empresa quanto a viabilidade dos poços. ‘‘Não vamos investir em alternativas que podem se demonstrar desnecessárias daqui um ano’’, afirmou Tomaz.
Presente à coletiva, o deputado estadual Edson Strapasson acusou a Sanepar de ‘‘provocar e usar’’ a falha no abastecimento para pressionar os moradores e a Justiça a dar ‘‘carta branca’’ para os projetos de exploração do aquífero Karst, que teve obras paralizadas por ações na Justiça de entidades ambientais. A Sanepar alega que o abastecimento está deficitário por causa da paralização de dois poços do Karst na localidade de Boichininga.
‘‘Não estamos fazendo isso (o rodízio) para barganhar ou pressionar nada’’, rebateu Tomaz. Segundo ele, há radicalização de alguns agricultores, que poderiam permitir que a empresa aumentasse um pouco a exploração e minimizasse o problema de abastecimento.

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