Nos últimos anos o fator médico vem sendo apontado como a principal causa da mortalidade materna no Paraná. Conforme dados do Comitê Estadual de Mortalidade Materna, 52% dos óbitos acontecem pela falta de orientação e de acompanhamento adequado por parte dos médicos, o que não significa necessariamente que isso seja um erro médico.
Em segundo lugar, representando 18% dos casos, aparece a assistência hospitalar deficiente. A morte da gestante nesses casos ocorre por falta de recursos estruturais dos hospitais, que muitas vezes termina com a necessidade da remoção do paciente. A questão economico-social, apontada muitas vezes como a principal causa, fica na terceira colocação, com 13% das mortes.
Os números foram repassados ontem pelo presidente do Comitê Estadual de Mortalidade Materna, o médico gineco-obstetra Hélvio Bertolozzi Soares, durante a 7º Reunião Anual dos 22 comitês existentes no Paraná. Segundo Bertolozzi, que considera o índice de 52% do fator médico bastante alto, esse percentual já foi maior, atingindo 67% no ano de 1993.
Apesar disso, Bertolozzi afirma que o Paraná é privilegiado, uma vez que está conseguindo diminuir o índice de mortalidade materna a cada ano. Conforme dados do Ministério da Saúde, o Paraná é o único Estado que conseguiu reduzir o índice em 1997. Nesse ano o coeficiente foi de 74 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos. Isso representa uma queda de 20% em relação a 1994, quando a taxa era de 93/100 mil.
Para combater a principal causa da mortalidade materna, a Secretaria de Estado da Saúde desenvolve, a partir do próximo ano, uma série de atividades de reciclagem e capacitação de médicos e enfermeiras. Os cursos serão desenvolvidos em parceira com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). De acordo com Bertolozzi, também será implantado o protocolo médico, que facilitará o acompanhamento da paciente em todos os estágios da gestação.
Um dos motivos de grande preocupação, disse Hélvio, está relacionado ao início do pré-natal. No Paraná o início é muito tardio, o que acaba agravando e facilitando o aumento de todos os índices apontados como as principais causas da morte materna. Segundo o médico, o ideal seria que o pré-natal fosse feito desde o primeiro mês da gestação.
Em 1997 os maiores números da mortalidade materna no Paraná foram registrados no município de Cianorte, com 176/100 mil nascidos vivos. O menor índice ficou com União da Vitória, com 28,7/100 mil.

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