''O problema crucial dessa situação (de mendicância) é que quem pede não tem a própria dignidade reconhecida. Quem dá tem de se perguntar: será que as pessoas merecem viver desta forma?'' O desabafo vem da promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Édina Maria de Paula, que já atendeu um sem número de meninos e meninas em situação de rua. ''Encaro isso como um ato de corrupção'', complementa.
Ela avalia que os programas de abordagem à pessoas nessa situação não funcionam porque não são articulados com outras políticas públicas. ''Se não houver política pública com maior envolvimento entre os órgãos pública não adianta.''
Édina afirma que em sua atuação como promotora encontra realidades absurdas. ''Já me deparei com três gerações de uma mesma família que mendigavam'', cita. E ela reforça que, salvo raras exceções, o dinheiro da mendicância sustenta dependentes em drogas.
A promotora integra a Comissão de Justiça e Paz, grupo recém-criado pela Arquidiocese de Londrina, e diz que uma das propostas é justamente orientar as pessoas a não darem esmolas. O tema será debatido na reunião do próximo dia 9 de novembro.
O Ministério Público Federal (MPF) em Londrina também implementa ações de conscientização dos índios que vêm para a cidade. ''O que buscamos fazer é orientá-los que a cidade tem dinâmica e regras diferentes das aldeias e também sobre o quanto é degradante, na visão do não-índio, o processo de pedir'', informa a antropóloga do MPF, Luciana Ramos. ''Não podemos impedi-los de vir para a cidade, até porque têm o direito de ir e vir como qualquer um. Por isso, trata-se muito mais de processo de convencimento e de melhorar a condição de vida deles na própria aldeia'', complementa. (L.A.)

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