Moradores de quatro bairros de Sarandi (7 quilômetros a leste de Maringá) quase invadiram ontem a prefeitura revoltados com a falta de água nos últimos dias. O protesto começou às 7h30 em frente do Departamento de Água e seguiu para a prefeitura com troca de ofensas e ameaças entre funcionários e moradores. O abastecimento é feito pelo município, através de 40 poços artesianos que atendem 18 mil ligações. A precariedade do sistema gera reclamações há anos.
Segundo os moradores, se a água não voltasse ontem eles levariam hoje roupas para serem lavadas nas torneiras da prefeitura. A dona-de-casa Rosana Morais da Silva Paiva, explica que a situação dos moradores dos bairros Jardim Independência, Ouro Preto, Universal e Scala se complicou a partir do feriado. Uma das bombas estragou e impediu o abastecimento. ‘‘Estamos há dias sem condições de lavar louça, roupa e até de fazer a higiene pessoal’’, reclamou Rosana.
Para a doméstica Neusa Miranda Balbino, o problema é que a falta de água é constante e o abastecimento é feito por pouco tempo no período noturno. ‘‘Muitas vezes não dá nem para encher a caixa d’água’’, ressalta Neusa. Os moradores disseram que iriam impedir a sessão da Câmara de Vereadores que seria realizada ontem à noite para que a discussão fosse em torno da falta de água.
O prefeito Júlio Bifon (PSDB) disse que o problema se resume na falta de R$ 2 milhões para investir em um novo sistema de abastecimento. ‘‘Por isso tentamos, no ano passado, privatizar a água no município porque não existem financiamentos do Estado ou do governo federal para este tipo de ação’’, explicou Bifon. Segundo o prefeito, além da precariedade do sistema, o município enfrenta o grave problema da falta de rede de esgoto. ‘‘Se a situação continuar as fossas vão acabar se encontrando com o lençol freático poluindo a água potável do município’’, alertou Bifon.
Ele disse ainda que a falta de água durante o feriado ocorreu porque uma bomba estragou e não foi trocada a tempo.

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