Falta dágua atinge mais de 40 mil na região de Curitiba
Mônica Kaseker
Kraw PenasRemédioMaria Ivone Bach, moradora do Guaraituba: A água do poço hoje é amarelada e tem gosto ruim, mas mesmo assim é a nossa salvaçãoSó no ano 2000 Curitiba vai estar livre da ameaça de falta de água. Isso se a população não crescer mais do que o previsto. Por enquanto, a Sanepar vai resolvendo problemas pontuais que vão surgindo pela cidade e Região Metropolitana, com pequenas obras. No momento, quem mais sofre com a falta dágua são os 36 mil moradores do Jardim Guaraituba (município de Colombo) e mais 5,3 mil pessoas do bairro Santa Efigênia/Cachoeira (Zona Norte de Curitiba).
Enquanto a população cresce em média 5% ao ano na região de Curitiba, a Sanepar consegue manter o sistema equilibrado modificando o gerenciamento das áreas de abastecimento, combatendo vazamentos e o desperdício de água e ampliando a produção onde é possível.
Foi assim que a Sanepar conseguiu aumentar a disponibilidade de água em 750 litros por segundo. A solução definitiva será a conclusão das obras do Sistema Iraí, com recursos do Paranasan (programa de saneamento financiado pelo Japão), prevista para final de 1999. Atualmente os sistemas Iguaçu, Passaúna, Tarumã e Karst produzem 6,6 mil litros por segundo e a expectativa é que o sistema Iraí acrescente 4,2 mil litros de água por segundo ao abastecimento, o que representa aproximadamente 60% da produção atual. Nos próximos dois anos, as soluções vão continuar sendo pontuais e o abastecimento dependerá, inclusive, da colaboração dos cidadãos, através do uso racional da água.
Kraw PenasAlinor Moreira, que vive em Colombo: Conta da água não falha
No bairro Cachoeira, área de Santa Efigênia (Zona Norte de Curitiba), os problemas no abastecimento devem ser amenizados a partir de abril, segundo o gerente de distribuição da Sanepar Celso Luis Thomaz. Além de combater os vazamentos ocultos na tubulação, a companhia está diminuindo a área de abastecimento através do bombeamento, já que a região é alta. A periferia do bairro passará a receber água das regiões vizinhas. O sistema de bombeamento Santa Efigênia vai ser substituído pelo Santa Cândida, de onde a pressão é maior e facilita a chegada da água nas partes mais altas do bairro.
Em Colombo, os problemas no abastecimento de água devem acabar no mês que vem, segundo Celso Luis Thomaz. Lá a maior dificuldade é que a população cresceu mais do que comporta o sistema de abastecimento. A solução vai ser melhorar as condições da tubulação e adequá-la para receber mais água do Karst (água subterrânea).
A população do Guaraituba considera que já esperou demais. A água vem faltando há dois anos, segundo a dona-de-casa Maria Ivone Bach, 55. Moro aqui há 20 anos e quando tínhamos apenas água de poço sofríamos menos, reclama. Além da caixa de 250 litros, Maria Ivone junta água em dois baldes de 50 litros cada um e ainda usa a água do poço para a limpeza da casa. A água do poço hoje é amarelada e tem gosto ruim, mas mesmo assim é a nossa salvação às vezes, completa.
Eva Moreira, de 44 anos, diz que a água chega a faltar três dias seguidos. Além de armazenar baldes de água, ela compra água mineral para beber. O marido, Alinor Moreira, pensa em voltar a utilizar o poço, construindo uma caixa e bombeando a água para abastecer toda a casa. A conta da água não falha, então vamos pedir para tirarem o relógio e voltar a usar só a água do poço promete Alinor. A mulher dele completa: Prefiro que volte a ser como há 15 anos, quando a gente não tinha água, nem esgoto, mas também não pagava.





