Quando se trata de colocar em prática conceitos de cidadania e responsabilidade social, sabemos bem o que temos que fazer, mas não fazemos. Esta foi a conclusão de uma pesquisa realizada pela professora do curso de Administração da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina Lilian Aligleri que, aos 29 anos, disputa pela terceira vez o Prêmio Ethos de Responsabilidade Social, na categoria artigo de pesquisa. Ela foi escolhida entre 73 inscritos e concorre com dois pesquisadores do Sudeste e do Nordeste.
O tema escolhido por Lilian e os outros dois professores que participaram do trabalho foi a percepção e o comportamento dos alunos de Administração em relação à responsabilidade social das empresas. ''Descobrimos que a universidade não contribui para que alunos ingressantes ou formandos mudem suas atitudes em relação à nova visão de mundo. A universidade informa, mas não forma e é preciso repensar o papel da instituição'', comentou.
Segundo ela, a pesquisa comprovou o que os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) já haviam apontado: os estudantes têm conhecimento sobre responsabilidade social, são sensibilizados por temas, mas não demonstram mudanças de atitude nas práticas cotidianas.
Foram entrevistados, no primeiro semestre do ano passado, 622 alunos de cinco universidades londrinenses, apenas uma delas pública. Do total, 255 eram formandos. ''Não houve diferença de opiniões entre alunos de escolas públicas e particulares, nem entre ingressantes e formandos'', apontou. Segundo ela, o dado mais importante para a pesquisa assinalou que 72% dos estudantes decidem a compra pelo preço mais baixo, ''sem se importar se a empresa usa trabalho escravo ou degrada o meio ambiente.''
A pesquisa foi aplicada entre estudantes de Administração porque, conforme a professora, eles é que serão os futuros gestores de empresas. ''Só que quem não tem competência individual também não tem competência organizacional'', opinou Lilian.
A falta de atitude, resumiu, não é um problema do jovem brasileiro, mas uma realidade mundial,''de geração, talvez'', questionou Lilian. Para ela, o desafio não está nas mãos apenas das universidades, mas também dos alunos e de toda a sociedade. ''Precisamos de jovens informados e não conformados que pratiquem ações mais efetivas. Não basta ter discurso, é preciso agir.''

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