Falta cadeia. E os ladrões aproveitam
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Osmani Costa 
Milton DóriaDestruiçãoA Cadeia Pública de Ibiporã ficou totalmente destruída após o protesto popular de março. Além da falta de celas, há falta de pessoal para executar o trabalho policial. Prefeito diz que Estado já mandou dinheiro e obras começarão em breveA falta da Cadeia Pública de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) tem gerado um aumento no índice de criminalidade na cidade de cerca de 30%. As seis celas da Cadeia estão interditadas desde 16 de março, quando foram depredadas por populares que protestavam contra a morte do pastor José Idalécio Bueno, ocorrida dia 9 daquele mês após ter sido espancado por policiais militares. Na época, as celas - que têm 24 vagas - abrigavam 18 presos. Sem ter onde prender os marginais e com problemas de falta de investigadores, a Polícia Civil assiste ao crescimento da criminalidade.
Aumentou bastante o número de ocorrências, notadamente o de assaltos, roubos - crimes contra o patrimônio -, e as ligadas a tráfico de drogas. Deve ter aumentado uns 30%, no geral, avalia o delegado Airton Simplicio dos Santos. Estamos trabalhando na improvisação desde março. Até sabemos quem são os bandidos, mas não dá para prender se não temos onde guardá-los. Só estamos prendendo em casos mais graves, de homicídio e flagrantes.
Com o aumento da criminalidade, a população se sente insegura. Na Redação da Folha chegam constantes reclamações de moradores de Ibiporã que foram vítimas de assaltos e roubos nas últimas semanas. Ontem à tarde, ocorreu pelo menos mais um. A aposentada e viúva Elza Antunes Beer, de 54 anos, teve sua bolsa roubada por dois jovens em frente à agência do Banestado, no centro daquela cidade. Ela havia acabado de sacar cerca de R$ 500,00, que foram levados à força pelos trombadinhas, juntamente com todos os seus documentos pessoais.
O motorista e filho de Elza, Marco Antonio Beer, de 24 anos, não se conforma com mais este roubo. Isto aqui está uma terra sem lei. Há menos de um mês roubaram a minha bicicleta dentro do quintal. A gente reclama para a polícia, mas ela não faz nada; não prende os ladrões que estão por aí soltos, atacando as pessoas, no centro da cidade, em plena luz do dia. A coisa está muito feia, e as autoridades não tomam as providências necessárias, reclama Beer.
De acordo com Airton dos Santos, a reclamação da população é procedente, mas merece uma reflexão. Porque estamos atravessando um período de anormalidade, os marginais aproveitam e agem mais abertamente. Eles sabem que não temos como prendê-los, porque estamos com poucos investigadores e sem o funcionamento da Cadeia, diz o delegado. Infelizmente, a sociedade agiu contra ela mesma, depredando as celas. Hoje, a população está sofrendo as consequências do ato de pessoas mal intencionadas e infiltradas no protesto contra a morte do pastor.
Os 18 presos de Ibiporã foram transferidos para as cadeias de Sertanópolis - na maioria -, Bandeirantes e Primeiro de Maio. Para Sertanópolis foi transferido também um dos quatro investigadores da Delegacia de Ibiporã, para ajudar na guarda dos presos. Outro investigador está de licença até setembro. Além da urgência na reforma e volta da utilização de nossa cadeia, necessitamos ainda do aumento de nosso quadro de investigadores, para que a situação volte ao normal na área da segurança em Ibiporã, afirma o delegado.
O prefeito Antonio Nadir Bigati garante que o Governo do Estado já repassou os recursos para a reforma da Cadeia - R$ 60 mil -, a licitação já foi realizada e as obras devem ser iniciadas ainda nesta semana. A concorrência foi vencida pela construtora Conesul, de Ibiporã mesmo, e as obras que custarão R$ 37 mil devem ser concluídas em 60 dias. Com os R$ 27 mil restantes, o prefeito pretende reformar o posto da Polícia Militar Rodoviária - na BR-369, na entrada da cidade -, também destruído pelos manifestantes no dia 16 de março.
Infelizmente, não foi possível liberar o dinheiro junto ao Estado num prazo mais curto. Enquanto isto, a situação da segurança pública, que já não era boa em nossa cidade, se agravou bastante. Os marginais estão se aproveitando deste momento para atuarem com maior intensidade e liberdade, comenta o prefeito Bigati. Estamos preocupados com a situação de anormalidade, mas agora o dinheiro já está no cofre da Prefeitura e temos certeza de que ela será resolvida em breve.


