Falta apoio aos usuários de crack
Curitiba - De cinco atos de violência envolvendo o adolescente brasileiro, quatro o fazem vítima do crime enquanto apenas um o torna autor. A informação é da secretária estadual de Criança e Juventude, Thelma Alves de Oliveira. Segundo a juíza Maria Roseli Guiessmann, da Vara do Adolescente Infrator de Curitiba, o número de crimes cometidos por adolescentes cresceu 15% de 2008 pra cá. Os fatores que se desencadeiam a partir daí têm causa e efeito na descaracterização da família e no consumo do crack.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp) divulgou um aumento de 123 mil para 1,6 milhão de pedras de crack apreendidas no Estado. Cresceu de seis para dez o número semanal de adolescentes dependentes químicos que procuram o Centro Psiquiátrico Metropolitano (CPM), voltado para jovens da região metropolitana da capital e Litoral.
''A abordagem médica ao dependente químico deveria ser igual ao de um doente mental. Os jovens em crise, após o consumo, procuram os postos de saúde, que os encaminham para casa. O Estado não tem mostrado preparo para enfrentá-lo. Não há hospitais preparados para realizar a desintoxicação, nem leitos suficientes'', diz a presidente do Conselho Tutelar matriz de Curitiba, Maria Rosa Carvalho.
Balanço aponta que, em 2009, o número de adolescentes que cometeram crimes e foram condenados a medidas sócio-educativas no Estado é 67% superior que em 2005. Dos adolescentes, garante o coordenador-técnico do Centro de Sócio-educação de Curitiba (Cense), Vinício Kirchner, ao menos 80% são dependentes do crack. ''Um dos nossos objetivos aqui é recuperar os vínculos familiares. Notamos que quando a família se envolve, em especial a mãe, eles se reabilitam mais rápido.''
Esse foi um dos dramas vividos pelo filho mais velho de Laura, Alisson, de 17 anos, (nomes fictícios), em 2007. Quando soube que o rapaz era dependente de crack, primeiro a mulher o levou a um posto de saúde de Curitiba, onde foi aconselhada a procurar o Centro de Atendimento Psico-Social (Caps). Laura espera por uma vaga até hoje. ''Eu e meu marido tivemos que bancar uma clínica, que não nos ajudou muito.'' (A.F.)





