Falta água na periferia de Jacarezinho
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segunda-feira, 24 de março de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Jacarezinho- ''Hoje de manhã faltou água.'' A expressão é recorrente entre os moradores dos bairros Vila Scyllas, Jardim Scylla Peixoto e Conjunto Habitacional II, em Jacarezinho (Norte Pioneiro). Com a construção de uma escola municipal que abriga 528 alunos e outras 88 casas populares na região, o abastecimento de água ficou comprometido, especialmente nos horários de pico da manhã e começo da noite.
A operária Jaqueline Costa Alecrim vive com os pais há cinco anos numa casa no Jardim Scylla Peixoto e nunca tinha experimentado falta d'água até o início do ano. ''Depois que fizeram a vila nova sempre falta água, de manhã ou à tarde. No final de semana não sai uma gota da torneira.''
A família até comprou um tambor plástico para armazenar água, mas fiscais da Vigilância Sanitária proibiram Jaqueline de utilizar o recipiente, que poderia se transformar num foco do mosquito da dengue. ''Nossa caixa d'água é pequena e acaba rápido. Ocupar o banheiro é um sacrifício'', reclamou a moradora, que normalmente deixa de lavar a louça para economizar água.
Na casa em frente, as irmãs Diéssica e Camila Proença lavam a louça com um fio de água que escorre pela torneira da pia. Lavar roupa é luxo, mas o banho da família é garantido quando sobra água na caixa d'água. ''Procuramos economizar, mas já teve dia em que não tinha água na rua e a da caixa tinha acabado'', recordou Diéssica, que mora no bairro há sete anos. Segundo ela, o abastecimento está comprometido desde janeiro. ''Sempre acaba às 8 horas da manhã e só volta às 11 da noite.''
Na mesma rua, a uma quadra acima, o agenciador Antônio Carvalho não reclama. Na casa dele nunca faltou água. ''Não entendo por quê'', questionou. Ele contou que um dos vizinhos até se mudou do bairro porque a conta de água era muito cara. ''Mas ele também não tinha água, pagava pela pressão que passava pelo cano e fazia o relógio rodar sem parar.''
Na Escola Municipal Professora Ismênia de Lima Peixoto, que já conta com duas caixas d'água, a direção resolveu comprar mais um recipiente, com capacidade para 10 mil litros, para se precaver em caso de corte de água. Conforme a coordenadora Laudicéia Regiane Alvarenga, quando falta água, o corte atinge somente a cozinha. ''Preservamos o banheiro até porque se o problema persistir as aulas precisam ser suspensas'', justificou Laudicéia, ressaltando que o abastecimento está normalizado desde o início das aulas, em fevereiro.
A Sanepar, por meio da assessoria de imprensa, informou que equipes operacionais estão realizando uma varredura na rede de distribuição de água para localizar a causa da irregularidade no abastecimento. Diariamente são geofonados cinco quilômetros de rede para localização de um suposto vazamento ou obstrução. Não há problemas na produção de água.
O contrato de exploração da água entre a Sanepar e a Prefeitura de Jacarezinho foi encerrado em 2006 e há uma ação pública que tramita no cartório cível, a qual questiona os termos do aditivo que renovou automaticamente o contrato. Ainda assim, a concessão está vigente e os serviços estão sendo prestados dentro da normalidade, segundo a empresa.
Dados da Sanepar apontam que 99,9% da população urbana de Jacarezinho têm água tratada e o esgoto é coletado em mais de 90% dos imóveis, sendo tratado na totalidade. Ainda conforme informações da assessoria da empresa, estão previstas obras no valor de R$ 2,2 milhões para ampliação do Sistema de Abastecimento de Água da cidade, sendo que a primeira etapa encontra-se em processo licitatório, com abertura prevista para abril.
Trata-se da construção de um reservatório apoiado e da implantação de uma adutora e um anel de distribuição no bairro Aeroporto. Nesta etapa, a Caixa Econômica Federal investirá cerca de R$ 790 mil em recursos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e serão gerados 110 empregos, entre diretos e indiretos.
Outra obra, já licitada e que aguarda homologação do Conselho de Administração da Sanepar (CAD), é a perfuração de um poço que irá reforçar a produção de água no sistema. Esta obra foi orçada em R$ 213,331 mil e será implementada com recursos próprios da Sanepar.


