Falta acessibilidade nos bairros
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terça-feira, 04 de junho de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Proprietários de imóveis do quadrilátero central de Londrina devem adequar a calçada de acordo com as normas de acessibilidade, segundo o artigo 109 da Lei Municipal 11.381/2011. Eles precisam, por exemplo, providenciar o piso tátil. A mesma lei, porém, não estabeleceu um cronograma de implantação, fiscalização e penalização dos descumpridores do Código de Posturas nos bairros, onde a acessibilidade é incipiente, com poucos donos de imóveis preocupados em adequar a calçada para facilitar a locomoção de pessoas que andam com a ajuda de bengala ou muletas; cadeirantes, com carrinhos de bebês e deficientes visuais, entre outros.
O Código de Posturas determina, entre outros itens, que nas esquinas devem existir rebaixamentos em rampas com largura de 1,20 a 1,50 metro; as guias devem ser rebaixadas na entrada e saída de veículos e as calçadas não devem ter degraus entre um terreno e outro e nem barreiras ou saliências.
Na Avenida Guilherme de Almeida, uma das principais vias da zona sul, um dos poucos trechos com piso tátil e rampas rebaixadas é a Praça da Juventude, inaugurada neste ano. O restante da via é quase que completamente inadequada. Não há pisos táteis instalados na maioria dos imóveis pelos quais a reportagem passou, inclusive em frente às escolas municipais Osvaldo Cruz e Zumbi dos Palmares e as esquinas e faixas de segurança não possuem a guia rebaixada.
O gari aposentado Joel Nogueira Santos, de 61 anos, mora no Jardim Cristal 2 e usa muletas. Ele relatou que, além de calçadas inadequadas, outro agravante são os terrenos baldios que ficam repletos de barro e mato. "Eu já caí por causa disso. Minha muleta enroscou na grama e eu fui para o chão. Não teve jeito de segurar o corpo", relembrou.
Um comerciante do Jardim União da Vitória, que pediu para não ser identificado, afirmou que desconhecia o Código de Posturas. Ele reclamou que as despesas dos comerciantes só têm aumentado, mas que não há contrapartida por parte do município. "E o dinheiros dos impostos? Por que a gente paga IPTU?", questionou. Ao ser informado que as calçadas são de responsabilidade dos proprietários dos imóveis, ele afirmou que não tem recursos para a reforma.
"A acessibilidade é nota zero. O pessoal só cuida da acessibilidade no Centro, mas no bairro o pessoal não se preocupa com isso. Não tem rampa de acesso e não tem a faixa de piso tátil para deficientes visuais", reclamou Críscia Lopes Ribeiro, que se acidentou na Avenida Arthur Thomas (zona oeste) e está andando com muletas.
Na zona leste os problemas se repetem. Nas ruas Mangaba e Flor de Jesus e nas avenidas Theodoro Victorelli e Santa Mônica também há falta de guias rebaixadas e de pisos táteis. Em algumas pontos da Santa Mônica os desníveis entre um imóvel e outro são bruscos. "Não há um declive suave, mas degraus", afirmou a aposentada Odília Nascimento, de 81 anos. Os moradores justificam que não há como fazer a reforma da calçada sem prejudicar a entrada da garagem. Perto dali, o Cemitério Padre Anchieta também não possui rampas ou pisos táteis.
Na zona norte a Avenida Saul Elkind é uma importante via arterial e, mesmo assim, não há calçadas adequadas. Só para citar alguns exemplos, a calçada do Corpo de Bombeiros não possui rampas para cadeirantes na saída do estacionamento das viaturas. A calçada da caixa d'água da Sanepar também não foi adaptada. O cemitério Jardim da Saudade também só possui um trecho adequado. Não há piso tátil na Unidade Básica de Saúde do Parigot de Souza e na parte comercial da via as calçadas também estão fora dos padrões impostos pelo código de posturas.
O para-atleta do arremesso de peso, Simão Rodrigues de Lima, afirma que a falta de rebaixamento das vias faz com que os cadeirantes andem pela rua. E afirmou que, mesmo sendo um esportista, enfrenta dificuldades para transpor algumas guias de calçada. "Para quem é cadeirante, 15 cm equivalem a uma barreira enorme", expôs.


