Cerca de doze homens armados com pistolas e revólveres assaltaram por volta da meia-noite de ontem três caminhões da transportadora Dimensão, sediada em Curitiba. Os assaltantes estavam vestidos com coletes da Polícia Civil e da Receita Federal e simularam uma blitz na estrada para parar os veículos. A abordagem ocorreu num local conhecido como Serra Morena, na BR-369, entre os municípios de Jataizinho e Uraí (Norte do Estado). Toda a carga, estimada em R$ 200 mil e pertencente à distribuidora Equipe Atacadista, de Londrina, foi levada pela quadrilha. O valor foi apontado pelos próprios motoristas ao delegado de Nova América da Colina, Sebastião Sales da Silveira. Eram remédios, fraldas e cosméticos. A polícia não tem pista dos assaltantes.
Os três caminhões, todos Mercedes Benz 1218 da cor branca, saíram de Londrina - onde a transportadora tem filial - com destino ao interior de São Paulo. Eles descarregariam as mercadorias na região de Bauru. Após o assalto, foram abandonados numa estrada vicinal entre o patrimônio do Cedro e Nova América da Colina e encontrados por volta das 5h30 de ontem. Os veículos tinham rastreadores operados por satélite, o que não ajudou a evitar a ação dos assaltantes. Um quarto caminhão da transportadora também faria parte do comboio, mas saiu um pouco antes de Londrina e não foi abordado pelos ladrões. Já os três motoristas da transportadora - José Antônio Ferreira, 29 anos, Dionir Pedro Damásio, 39, e Valdiso Alves da Silva, 26 - foram liberados na BR-369, perto de Jataizinho, por volta das 2 horas. Os três caminharam até alcançar um posto de combustível e, de lá, acionaram a Polícia Militar.
Os motoristas prestaram depoimento ontem de manhã ao delegado Sebastião Sales da Silveira. Segundo o delegado, eles disseram não ter desconfiado da falsa blitz: além dos coletes, um dos assaltantes estava com uniforme completo da Polícia Rodoviária. Havia também farta sinalização na pista, inclusive com cones, e uma perua Parati supostamente oficial, com símbolo do Estado e giroflex ligado. Além do mais, estava entrando em vigor praticamente naquela hora a nova lei de trânsito, o que poderia justificar a operação policial.
Pouco antes do assalto, lembraram os motoristas ao delegado Silveira, um automóvel passou em alta velocidade por eles, provavelmente para avisar da chegada do comboio e apontar a hora de montar a simulação. Os falsos policiais pediram para que os caminhões encostassem e a abordagem foi feita praticamente ao mesmo tempo nos três veículos. O delegado conta que os assaltantes pediram as notas da carga e, em seguida, que os motoristas descessem da cabine. Em seguida, foram rendidos e obrigados tocar no sentido de Cornélio Procópio, entrando depois no trevo de Assaí.
Após passar pelo patrimônio do Cedro, os assaltantes indicaram para que o comboio entrasse numa estrada de terra. Cinco quilômetros a frente, encostaram os caminhões: no local havia outro caminhão Mercedez Bens, tipo furgão, para onde foi levada toda a carga. Detalhe: os próprios motoristas tiveram que transferir as caixas de medicamentos do comboio para o caminhão. Os motoristas disseram que foram obrigados a usar capuzes, para dificultar a identificação da quadrilha. Viam apenas o suficiente para guiar os veículos e carregar a carga. Os assaltantes estavam com bonés; alguns, com óculos escuros.
Assim que a carga foi passada para o furgão, os motoristas foram colocados no bagageiro da Parati e levados até perto de Jataizinho. ‘‘Disseram para eles que se fossem bonzinhos não teria problema’’, conta Silveira. O delegado acredita também que, além da Paraty e do caminhão, os assaltantes deveriam estar em pelo menos mais um ou dois veículos, já que a quadrilha era grande. ‘‘Agora vamos receber mais documentações da empresa para depois finalizar o inquérito. Mas ainda não temos qualquer pista dos assaltantes.’’
O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Acácio Azevedo, considerou o assalto praticado pela quadrilha bastante ousado. ‘‘Faz muito tempo que não vemos esse tipo de ação na região. Deve haver gente de diversos estados infiltrada na quadrilha, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, onde há muito desvio de carga’’, diz. ‘‘Mas ainda é muito cedo para qualquer conclusão.’’

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