Falso policial diz que só vai se pronunciar em juízo
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quarta-feira, 13 de janeiro de 1999
Gerson da Luz Souza Especial para a Folha 
Levado ontem ao promotor Guilherme Freire de Barros Teixeira, da 2ª Vara Criminal de Cascavel, Ivan Serafim Borges, 34 anos, preso sob acusação de passar-se por policial, negou-se a prestar depoimento, reservando-se o direito de fazê-lo apenas em juízo. O promotor diz que outras pessoas deverão ser ouvidas nos próximos dias e garante que o oferecimento da denúncia deverá acontecer no máximo até o dia 25.
No momento em que foi preso, policiais militares encontraram em poder de Ivan Borges uma viatura da Polícia Civil e diversos objetos de uso exclusivo da instituição - coletes, carteira funcional e outros - além de uma arma com porte vencido e outra de fabricação israelense e portanto de uso proibido.
O juiz da 2ª Vara Criminal, Rosaldo Elias Pacagnan, que determinou a prisão, afirmou à Folha que a explicação apresentada pelo comando da Polícia Civil, de que Ivan era colaborador da instituição e estava com a viatura apenas para fazer uma manutenção, não é convincente.
Na casa de Borges foram apreendidos uma pistola calibre 9 mm - arma de uso proibido - e diversos objetos de uso exclusivo da instituição como coletes à prova de bala, carteira de identificação policial e uma carteira com o brasão da Polícia.
Há reportagens em jornais locais onde ele é citado como policial, efetuando inclusive prisões e apreensão de drogas, acrescenta o juiz.
Pacagnan está convencido de que houve conivência de autoridades. Não é possível que ele se fazia passar por policial e tinha bom trânsito dentro da delegacia sem o conhecimento de pessoas que ali trabalham, observa.
O juiz acredita que após a conclusão do processo deverá ser enviada cópia à Secretaria de Estado da Segurança Pública, para as medidas administrativas cabíveis. Se for o caso de co-responsabilidade penal, também serão tomadas providências no âmbito judiciário, informa.
O juiz também relata que o acusado responde diversos processos criminais na comarca de Umuarama, inclusive por participação em sequestro, roubo de caminhões e formação de quadrilha. Além disso, possui soma considerável de bens - caminhões, reboques, um Tempra e um Opala - mas nos últimos cinco anos não declarou Imposto de Renda. Para uma pessoa que simplesmente prestava serviços à Polícia Civil, a condição patrimonial dele é muito suspeita, entende Pacagnan.


