Cianorte A Polícia Civil de Cianorte (80 km a leste de Umuarama) investiga a morte de quatro pessoas que foram atendidas pelo falso médico Fernando Aparecido Bizzari, 24 anos, durante os quatro meses que exerceu ilegamente a profissão na cidade. Bizzani foi preso sexta-feira numa casa alugada na Rua Parecis, no bairro Cianortinho. A polícia descobriu que Bizzari tinha voltado para a cidade e pediu a prisão preventiva dele.
Ontem, o delegado Saulo Barreto informou que levantou no Cartório de Registro Civil quatro atestados de óbito assinados pelo falso médico durante o período que trabalhou como plantonista na Santa Casa, por cerca de três meses. ''Isto prova que quatro pessoas morreram sob sua responsabilidade e ele pode ser indiciado por homicídio culposo'', disse o delegado.
Barreto solicitou ao hospital cópias dos prontuários dos pacientes para analisar as cinscunstâncias das mortes e os procedimentos adotados por Bizzari. O caso mais grave seria de uma mulher de 86 que morreu de pneumonia. Ela havia procurado o hospital uma semana antes com febre e dores no pescoço e Bizzani diagnosticou um torcicolo. Outra médica diagnosticou a pneumonia uma semana depois e repassou a paciente para Bizzani fazer o tratamento. Um homem de 46 anos morreu de tuberculose. As mortes de outros dois idosos de 87 e 85 anos foram atestadas, respectivamente, como arteriosclerose e parada cardio-respiratória.
O falso clínico-geral também pode ser enquadrado na lei de antitóxicos por ter prescrito para vários pacientes medicamentos de uso e venda controlados por causar dependência. De acordo com o delegado, além desses crimes, Bizzari está sendo indiciado por exercício ilegal da medicina, falsidade ideológica e estelionato. Ele usava uma carteira falsificada do Conselho Regional de Medicina de Cianorte.
Ele foi desmascarado no início de agosto depois que alguém viu na internet uma reportagem sobre o falso médico. Natural de Tabatinga (SP), ele já era procurado pela polícia de São Paulo por falsidade ideológica, exercício ilegal da medicina e estelionato, crimes que teriam sido praticados no interior do Estado. Bizzari havia desaparecido e ninguém esperava que ele fosse voltar para Cianorte.
Segundo o delegado, em seu depoimento, Bizzari afirmou ter cursado dois anos de medicina na Universidade de São Paulo (USP), mas teria admitido para outros presos que parou de estudar na 4 série primária.
O presidente da Associação Médica de Cianorte, Mário Augusto Parisi, disse que havia alertado o prefeito Flávio Vieira (PFL), numa reunião em maio, sobre irregularidades que estariam ocorrendo em relação à contratação de médicos de fora. Segundo ele, Bizzari prestou serviços para a prefeitura como médico da família.
Vieira confirmou a reunião, mas disse que os médicos teriam tratado apenas de assuntos técnicos, como distribuição de consultas. Ele negou que o falso médico tenha prestado serviços para o município. Segundo Vieira, a Santa Casa é um hospital regional administrado por um consórcio intermunicipal de caráter privado.
A Folha ligou várias vezes para o diretor da Santa Casa, Jorge Nabhan, mas foi informada que ele estava realizando consultas.

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