Falso médico é preso pela PM em Paiçandu
Maurício Borges
De Apucarana
O auxiliar de enfermagem Gerson Carlos Pizápio, 29 anos, que estava com prisão preventiva decretada desde setembro por exercício ilegal da medicina, foi preso anteontem à noite pela Polícia Militar, em sua residência, na cidade de Paiçandu (10 km a oeste de Maringá).
Utilizando o falso nome de Dr. Nelson Menoger, Pizápio clinicou como médico, de março a setembro deste ano, no Hospital Municipal de Marilândia do Sul (34 km ao sul de Apucarana). Neste período ele usou, diversas vezes, o número do Conselho Regional e Medicina (CRM), carimbo e receituário do pediatra Nelson de Freitas Reis, de Santa Fé.
Desde que o hospital foi interditado, no dia 21 de setembro, após uma vistoria da vigilância sanitária da 16ª Regional de Saúde, o suposto médico estava foragido. Ontem, já recolhido na cadeia de Marilândia do Sul, ele prestou depoimento ao delegado Odair Cordeiro, assumindo que clinicava como se fosse médico.
Segundo Cordeiro, o auxiliar de enfermagem irá responder pelos crimes de exercício ilegal da medicina, que prevê pena de seis meses a dois anos de detenção, e falsidade ideológica, que pode resultar em reclusão de um a cinco anos. O delegado disse que o advogado de Pizápio deu entrada num pedido de relaxamento da prisão, justificando que ele não tem antecedentes criminais e possui residência fixa.
Pizápio declarou ao delegado Odair Cordeiro que foi balconista de farmácia por oito anos, fez um curso técnico de enfermagem e trabalhou nesta função num hospital de Cianorte. Pizapio diz que conheceu os demais médicos do corpo clínico no próprio hospital, isentando-os de responsabilidade em sua contratação.
Na interdição do hospital, a 16ª RS encontrou irregularidades como condições higiênico-sanitária impróprias, lotes de remédidos com prazo de validade vencidos e a existência de estudantes de medicina atuando em plantões de fim-de-semana sem a supervisão de médicos.
A denúncia foi feita pela atendente de enfermagem Lourdes Gutierrez, que trabalhava no Hospital Municipal, à promotora Suzana Broglia Feitosa de Lacerda. A servidora pública, com mais de 15 anos de experiência na área, suspeitava de diagnósticos e medicação dada a pacientes pelo suposto Dr. Nelson. Depois de confirmadas as denúncias, Lourdes Gutierrez denuncia que está sofrendo retaliações. Ela foi afastada do cargo, responde processo por insubordinação administrativa grave, e corre o risco de ser demitida por justa causa.
Familiares de quatro pacientes que foram a óbito depois de atendidos em Marilândia, estão questionando a hipótese de que essas pessoas tenham sido vítimas de diagnósticos errados e remédios inadequados. Os pacientes que faleceram são Pedro da Rocha, Renailda Matias Neris Fagundes, Francisca Arantes de Paula e Geralda Pedroso.





