Falso dentista é flagrado num barraco em Cascavel
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sexta-feira, 26 de outubro de 2001
Gilmar Agassi<br> De Cascavel 
A Vigilância Sanitária e o Conselho Regional de Odontologia (CRO) fecharam ontem um consultório clandestino que funcionava em um barraco localizado na periferia de Cascavel. No local, o falso cirurgião Verdanin Becker trabalhava como dentista, realizando desde extração de dentes até próteses. Becker irá responder criminalmente pela prática ilegal da profissão.
Segundo o delegado do CRO, João Cezar Meassi, a Vigilância Sanitária chegou ao local depois da denúncia anônima de um paciente de Becker que informava sobre a falta de higiene do falso dentista no manuseio de instrumentos e no próprio atendimento. No barraco onde funcionava a clínica, os fiscais da Vigilância puderam constatar a péssima qualidade dos materiais e equipamentos que foram apreendidos.
Meassi ressalta que as pessoas atendidas por Becker corriam sérios riscos por causa da falta de higiene, que poderia resultar em doenças. Ele lembra que apenas este ano já foram descobertos quatro consultórios clandestinos em Cascavel. ''Mas nenhum deles estava em condições tão ruins como esse. O ideal é que todas as pessoas que foram atendidas por Becker procurem um posto de saúde para fazer exames'', recomenda.
O delegado do CRO lamenta que o falso cirurgião não tenha delatado o nome das empresas de materiais dentários que lhe vendiam os produtos utilizados nos procedimentos. Ele completa que o Conselho manterá um cirurgião dentista apenas para fiscalizar e averiguar denúncias. ''Vamos investigar desde consultórios até as empresas de materiais que muitas vezes são as principais responsáveis por isso que estamos vendo'', denuncia.
Verdanin Becker afirmou que trabalhava como dentista no Paraguai e que estava há poucos meses atendendo em Cascavel. O acusado disse não saber que era proibido praticar a profissão no Brasil apenas com os documentos paraguaios. Sua justificativa acabou sendo desmentida por vizinhos que informaram que há cerca de 1 ano e meio ele atendia naquele local.
A dona de casa Dalvina Gonçalves contou que pagou R$ 5,00 pela extração de um dente, e outros R$ 45,00 pela prótese. Ela disse estar surpresa com o fechamento do consultório. ''Todas as vezes que fui atendida, ele lavou as mãos e os aparelhos pareciam estar limpos'', disse.


