Isto é um protesto!Sindicalista é ‘assaltado’ na manifestação contra a insegurança nos bancos: roubos são frequentes na CidadeOntem de manhã, por volta das 10h30, dois ladrões visivelmente nervosos, dirigindo um carro invisível, examinaram a agência bancária do Banestado do Calçadão. Comprovada a falta de segurança da agência, que tinha apenas um vigilante, invadiram o local dando voz de assalto. Em meio aos clientes que aguardavam na fila o atendimento, dominaram o gerente, o vigilante e agrediram o caixa. Fugiram levando milhões.
Minutos mais tarde, a mesma dupla, agora mais calma, invade a mesma agência, domina o mesmo vigia e agride o mesmo caixa e novamente fogem. Na terceira vez o assalto vira visita; os ladrões até cumprimentam o caixa, saem tranquilamente acenando para a população.
A encenação do assalto foi a forma encontrada pelo Sindicato dos Bancários e o Sindicato dos Vigilantes de Londrina para protestar contra o descaso dos bancos com a segurança das agências. Somente este ano, já aconteceram cinco assaltos em Londrina; o último deles, no Banestado da Universidade de Londrina (UEL), resultou na morte do policial militar Marcos Freire.
A frequência dos assaltos simulados pelos sindicatos - três em poucos minutos - espelha bem a realidade atual. Em Londrina, são comuns os casos de agências que sofrem vários assaltos com intervalos de apenas alguns dias ou semanas. A ‘‘peça’’ foi apresentada na frente dos principais bancos que mantêm agências no Calçadão. Além da apresentação, os sindicatos colheram assinaturas pedindo mais severidade na punição dos bancos que não cumprem as normas de segurança.
‘‘Apesar da frequência e da violência dos assaltos, os bancos continuam não atendendo às normas de segurança exigidas por lei. Um desrespeito à vida dos seus funcionários, dos clientes e usuários’’, afirma o diretor do sindicato dos Bancários Jacks Dias. Ele afirma que os bancos alegam que a implantação do sistema de segurança exigido por lei é ‘‘muito cara’’. Mas, nas contas da entidade, o custo não superaria a casa inicial de R$ 8 mil, e a manutenção mensal - incluindo o salário dos vigilantes ficaria por volta dos R$ 2 mil por agência.
‘‘A segurança vale muito mais do que isso. E este valor é irrisório frente aos lucros acumulados pelas instituições’’, defendeu. Ele cita que, em 96, o Bradesco rendeu aos seus donos R$ 800 milhões de lucro - já descontados custos e impostos.
A ‘‘peça’’ apresentada na frente da agência central do Banestado atraiu a atenção de várias pessoas que pararam para acompanhar a história dos assaltos consecutivos. O representante comercial Vicente dos Reis, 26 anos, elogiou a performance e também disse estar indignado com a ‘‘falta de respeito’’ dos bancos com o usuário. ‘‘É impossível entrar em uma agência bancária ou posto de atendimento sem pensar na possibilidade de ser vítima de assalto. O medo é constante e as instituições bancárias deveriam ser obrigadas a garantir isso aos clientes e funcionários.’’

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